Viver de renda: calcule o quanto você deve poupar para atingir este objetivo
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Viver de renda: calcule o quanto você deve poupar para atingir este objetivo

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Conseguir acumular dinheiro suficiente para parar de trabalhar e viver de renda não é uma tarefa das mais fáceis. No entanto, com bastante disciplina e planejamento você poderá ter êxito. Primeiramente, é necessário saber qual o valor que se deve juntar para obter a renda desejada, e aprender a calculá-lo.

A forma mais conservadora de se fazer esse cálculo é considerando que a soma poupada e aplicada para a geração da renda não seja consumida, ou seja, essa soma deve ser suficientemente grande para que você possa viver apenas dos rendimentos dela.

Essa é a forma mais segura para o seu dinheiro não acabar antes da hora, uma vez que você não sabe quanto tempo irá viver.

Viver de renda: veja quanto você deve poupar para atingir este objetivo

Defina a renda mensal que você deseja obter

Faz-se necessário que você estabeleça qual a renda que deseja ter no futuro para levar uma vida confortável. É a partir dela que você vai calcular o montante que vai gerar essa renda mensal.

Por exemplo, pode-se adotar uma renda mensal de 5 mil reais.

Calcule a rentabilidade adequada

Após definir a renda desejada, você deve estabelecer uma taxa de juros possível de se obter em aplicações financeiras de baixo risco. Deve-se assumir que o seu patrimônio estará aplicado em investimentos capazes de gerar renda homogênea, constante e ininterrupta para o seu sustento.

Fique atento: a rentabilidade estimada deve ser a rentabilidade real, isto é, já descontada a inflação. Como a inflação corrói o seu patrimônio, você deve se preocupar em ganhar acima dela.

Afinal, se você quer ter uma renda de 5 mil reais mensais, há de se convir que o valor de 5 mil reais hoje é diferente do valor de 5 mil reais daqui a 20 ou 30 anos. Dessa forma, o que você quer de fato é o poder de compra de 5 mil reais, que provavelmente equivalerá, no futuro, a uma soma superior a 5 mil.

Além disso, os cálculos também devem considerar uma rentabilidade líquida de imposto de renda, pois somente dessa maneira é possível chegar a um valor mais preciso.

Uma forma rápida de fazer essa conta é tomando como rentabilidade real o rendimento de um título público de longo prazo atrelado à inflação. A rentabilidade do Tesouro IPCA+ (antigo NTN-B Principal) é a mais indicada para fazer esse cálculo (Veja o texto Entenda cada um dos títulos do Tesouro Direto e saiba como investir).

Para ver as taxas pagas pelo Tesouro IPCA+ de diferentes prazos acesse este link. Esses títulos públicos pagam uma taxa de juros acima da inflação pelo IPCA. Portanto, a taxa mostrada no site já é a taxa real, acima da inflação.

Para citar apenas um exemplo, um Tesouro IPCA+ com vencimento em 2035 está pagando uma taxa de juros de 5,49% ao ano acima da inflação, o que equivale a uma taxa mensal de aproximadamente 0,45%. No Excel, essa conversão de taxas pode ser feita pela expressão:

= (1+rentabilidade anual)^(1/12)-1

Se considerarmos o desconto de 15% de imposto de renda – alíquota descontada quando o dinheiro fica aplicado por mais de dois anos – chega-se a uma rentabilidade mensal líquida de 0,38%. Logo, você pode considerar factível uma rentabilidade real mensal de 0,38% para o seu cálculo.

Divida a renda mensal desejada pela rentabilidade real

É necessário que você divida a renda que deseja obter no futuro pela taxa de juros real mais realista que você tiver encontrado. Conforme o exemplo, 5.000/0,38%, o que dá um montante de 1.315.789,47 reais, ou aproximadamente 1,3 milhão de reais.

Novamente, não se trata de R$ 1,3 milhão em valores nominais, mas sim do equivalente, no futuro, a 1,3 milhão de reais em valores de hoje.

Calcule quanto poupar

O passo seguinte é descobrir quanto é preciso poupar por mês para atingir esse valor. Para isso, você precisará definir uma rentabilidade real mensal factível, em quanto tempo você quer chegar lá e o valor inicial que você vai investir (que pode ser zero).

Considerando o cálculo anterior, suponha que você vai investir para obter uma rentabilidade real líquida de IR de 0,38% ao mês.

Arredondando o montante necessário para 1,3 milhão de reais e partindo do zero, isto é, sem investimento inicial, seria preciso investir mais ou menos 3.300 reais por mês durante 20 anos (240 meses). Se o prazo crescer para 30 anos (360 meses), o valor de poupança mensal cai para 1.700 reais, aproximadamente.

Supondo que você já tenha poupado R$ 100.000, o valor mensal a ser investido em 20 anos já cairia para R$ 2.700. Considerando os 30 anos, reduziria para apenas R$ 1.200 por mês, aproximadamente.

Para fazer essa conta, você pode usar a fórmula PGTO do Excel, e preenchê-la com a taxa de juros (rentabilidade), o prazo (no exemplo, número de meses), o valor presente (quanto você tem para investir hoje, que pode ser zero), o valor futuro (montante que você quer atingir) e escolher zero ou deixar em branco o tipo (para indicar que os investimentos são feitos sempre ao final de cada mês).

Em todos os cálculos, lembre-se sempre de usar o prazo em meses quando estiver usando renda e rentabilidade mensais, podendo usar o prazo em anos se optar por utilizar renda e rentabilidade anuais. E se você for utilizar um valor presente diferente de zero, adicione o sinal (–) antes do valor.

O valor poupado e investido mensalmente será corrigido pela inflação e ganhará uma rentabilidade extra (no caso, o rendimento real de 0,38% ao mês). No fim do período de acumulação, você terá um montante equivalente à soma de 1,3 milhão de reais estimada inicialmente.

Reavalie seu planejamento a cada ano

O fato de considerar apenas rentabilidades reais para fazer o cálculo já é um grande passo para o cálculo ter um bom grau de precisão.

Contudo, a rentabilidade real da economia e das aplicações financeiras conservadoras varia com o tempo. A Selic (taxa básica de juros) oscila, assim como a inflação, então a diferença entre as duas taxas não é estática.

Portanto, é aconselhável rever seu planejamento de tempos em tempos, para verificar se a rentabilidade real estimada continua factível.

No período de acumulação do seu patrimônio, pode ser que ora o juro real das aplicações de baixo risco seja de 6% ao ano, ora seja de 4%, ora de 2%.

Pode haver momentos em que você necessite de investimentos mais rentáveis na sua carteira ou precise poupar mais para se manter dentro do planejamento.

O mesmo raciocínio se aplica à fase de utilização das suas reservas. De acordo com o exemplo, 1,3 milhão de reais precisam render 0,38% acima da inflação para garantirem um poder de compra de 5 mil reais por mês de forma perpétua.

Se sua carteira de investimentos começar a render menos do que isso, os rendimentos serão menores, e resgatar mais do que o valor correspondente à rentabilidade vai consumir uma parte do valor principal. Então, é sempre bom fazer essas reavaliações periodicamente.

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Como elaborar um planejamento financeiro pessoal incrível em 13 passos

O passo a passo para construir seu plano de investimentos

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