Estilo de Vida

9 maneiras de transformar seu filho em um adulto consumista e (financeiramente) frustrado

pai e filho segurando um cofrinho simbolizando o tema adulto consumista
Ariane Lopes
Escrito por Ariane Lopes

Instruir uma criança a tratar o dinheiro com consciência é tão importante quanto ensiná-la sobre qualquer outro aspecto financeiro

9 maneiras de transformar seu filho em um adulto consumista e (financeiramente) frustrado

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Os pais são responsáveis pela educação de seus filhos nos mais diversos níveis: desde a educação escolar, passando pela transmissão de valores importantes para a construção da personalidade da criança, além de serem encarregados também pela passagem de conceitos financeiros importantes para que as crianças se tornem adultos financeiramente conscientes.

Instruir uma criança a tratar o dinheiro com consciência é tão importante quanto ensiná-la sobre qualquer outro aspecto financeiro. Não se trata apenas de valores monetários: a educação financeira ensina aos pequenos a tomar decisões e a lidar com as próprias frustrações.

Com o objetivo de orientar o que não fazer na educação financeira do seu filho, trouxemos uma lista de 9 comportamentos que devem ser evitados para que seu filho não se torne um adulto consumista.

Confira agora os 9 comportamentos que podem transformar seu filho em um adulto consumista e fracassado financeiramente

 

1. Dar o que você não teve

crianças com vários presentes

Na tentativa de sanar as próprias frustrações, muitos pais tentam prover para os filhos tudo aquilo que não tiveram, mas gostariam de ter tido quando crianças. Essa busca por satisfação pessoal acaba trazendo uma noção errada para as crianças, fazendo-as acreditar que precisam de muitas coisas que na verdade não precisam

Contudo, o que de fato uma criança precisa? Segundo a psicanalista e educadora financeira Cássia D´Aquino, autora dos livros “Dinheiro compra tudo?” e “Como falar de dinheiro com seu filho.”, “As crianças não precisam de quase nada quando se trata de consumo e deixam isso muito claro quando, no dia seguinte ao aniversário, brincam com a fita do presente”, diz.

Essa semana, eu estava assistindo uma reportagem na televisão, que retratava as festas de aniversário de luxo no Brasil, acreditem ou não, uma criança em seu primeiro aniversário ganhou uma festa de mais de R$ 200.000,00!

Os pais podem ter a melhor das intenções, mas se continuarem seguindo este caminho, o que conseguirão é ensinar para o filho(a) tudo errado sobre dinheiro.

2. Satisfazê-lo 100% do tempo

criança fazendo birra enquanto sua mãe a repreende

Claro que todo pai quer ver seu filho feliz, mas decepções e frustrações fazem parte da vida e são sentimentos que temos que aprender a lidar desde cedo. Assim, outro erro frequente é querer proporcionar tudo que a criança deseja, na hora que ela quer, com a ideia errada de estar fazendo-a feliz.

“Uma criança que entende os limites da realidade, inclusive do dinheiro, será um adulto mais capaz de lidar com as próprias inseguranças e de compreender que ninguém tem tudo”, diz Cássia.

Desse modo, a lição que deve ser passada para seu filho é que ele deve aprender a esperar. Por exemplo, quando você compra algo de comer para ele, mas impõe que só poderá comer em determinado momento, você está passando a seguinte mensagem: “você aguenta esperar para consumir algo e, mais do que isso, que pode suportar a dor”.

E mesmo que a pirraça venha como resposta a sua autoridade, seja firme, pois se comprar algo pela chantagem emocional, você estará passando um recado amargo à criança de que os conflitos podem ser resolvidos pelo consumo. Assim, a válvula de escape dela, quando adulta, pode ser as compras, causando uma compulsão.

CONSUMISMO: COMO EVITAR O EXCESSO DE COMPRAS POR IMPULSO

3. Recompensar com presentes

criança recebendo um presente

Tentar recompensar a ausência ou a culpa com presentes ou fazendo as vontades dos filhos também é um péssimo hábito, pois estes atos tendem a transformar crianças em adultos impulsivos nas compras, na visão do educador financeiro Álvaro Modernell.

Outro modo de recompensar através do dinheiro que é errado é aumentar a mesada da criança sempre que ela tira uma nota boa ou apresenta um comportamento desejado.

Segundo o economista Rodrigo Morosky, a prática pode trazer consequências difíceis de resolver no futuro. “A criança pode se tornar interesseira e só estudar para ter algo em troca”, diz.

4. Não levar seu filho as compras

família no supermercado

Antigamente, era recomendado que não se levasse as crianças a locais de consumo como: supermercados e livrarias. Hoje a orientação dos especialistas é oposta. A criança precisa aprender desde cedo a escolher e entender o porquê de não se ter tudo que deseja.

Ao levar as crianças ao supermercado, a loja de roupas e em outros ambientes de consumo ela poderá aprender com você como se faz, ela aprenderá a pechinchar, a pesquisar preços e a analisar a qualidade dos produtos.

Crianças são esponjas e absorvem tudo que veem e ouvem, por isso, aproveite exemplos práticos para ensinar seus filhos como agir em situações de consumo.

5. Deixar de compartilhar as decisões financeiras

criança fazendo tarefa de casa com a ajuda de sua mãe

Os filhos, sempre que possível e a depender da idade, devem ser incluídos nas decisões financeiras da família. É importante que eles se sintam parte da vida financeira familiar, saibam quais são as prioridades da família e entendam por que determinados bens devem esperar para serem incluídos no orçamento.

Outra dica é: quando possível, envolva-os com a programação de eventos ou viagens da família, mostrando como montar uma lista de compras, como fazer um orçamento e como economizar em momentos como esses.

6. Dar exemplos que fujam da realidade infantil

mãe lendo um livro para sua filha

Um ponto chave para ter sucesso na educação financeira de seus filhos é fazê-los entender os porquês (Por que não se pode ter tudo? Por que esperar para comprar o brinquedo?), não simplesmente usar a velha frase “não pode e pronto”.

Entretanto, para que essa percepção seja factível para os pequenos precisa-se criar exemplos que abranjam o universo deles, a linguagem deles.

Não adianta tentar explicar o que são juros para uma criança de 4 anos. Simplifique e tente se aproximar da linguagem da criança, fazendo-a entender os conceitos que você está tentando ensinar.

7. Não educar pelo exemplo

criança botando moedas dentro de um cofre

Como já dito, crianças são esponjas. Se você segue o velho ditado “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”.

Será um problema ensinar seus filhos a serem financeiramente independentes quando o principal exemplo deles é uma família com as finanças desorganizadas, que consomem de forma exagerada.

Enfim, não se pode ensinar princípios sem vivenciá-los. Esse comportamento deixará seu filho confuso.

8. Dar mesada sem orientação

criança segurando muito dinheiro

Dar mesada é um método estimulado por especialistas em finanças como Gustavo Cerbasi, entretanto, entregar o recurso na mão da criança e não orientá-la quanto ao uso é mais prejudicial do que não usar o método.

É preciso explicar que aquele valor será dado a ela a cada tantos dias, que ela deve administrá-lo e comprar o que deseja, se algum item for mais caro do que o valor que ela dispõe é importante que ensiná-la a poupar e esperar para atingir o objetivo.

Vale a pena frisar que alguns especialistas só recomendam o uso da mesada a partir dos 11 anos que é quando a criança tem uma maior noção temporal, antes disso o método pode ser utilizado na forma de “semanada”, pois se a criança gastar tudo em 2 ou 3 dias não terá de esperar tanto para ter recursos novamente.

Para usar a dica de modo correto é preciso especificar um valor da mesada que deve ser paga no mesmo dia, todos os meses. Deve-se, também evitar que os avós influenciem negativamente servindo como fonte extra de renda.

Dê liberdade para a criança usar a mesada como ela quiser. Ela vai aprender pelo método da tentativa e erro a usar o dinheiro.

SAIBA QUAL A MELHOR FORMA DE DAR MESADA AOS FILHOS

9. Evite punir monetariamente seu filho

criança de castigo

Assim como recompensar seu filho pelas boas notas ou bom comportamento aumentando a mesada não é uma boa ideia, puni-lo com base no principio oposto também não o é.

Se for usar uma punição pecuniária, escolha métodos como “o pote do palavrão”, no qual devem ser depositados, por exemplo, R$ 0,10 por cada palavrão que ele disser, assim, além de educá-lo financeiramente, ainda disciplinará a criança.

Errado são diminuições ou suspensões arbitrárias, tais atos podem atrapalhar o planejamento financeiro do seu filho, pois ao privá-lo do dinheiro ao tomar uma das atitudes citadas você estará influindo negativamente na gestão de seus recursos.

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Sobre o autor

Ariane Lopes

Ariane Lopes

Ariane Lopes, redatora do Portal Mobills. Formada em Ciências Contábeis pela Universidade Federal do Ceará - UFC e Pós-graduanda em Gestão Pública pela Universidade Católica Dom Bosco - UCDB. Pesquisadora incansável dos temas educação financeira e finanças pessoais. Principais hobbies: assistir documentários, ler, organizar eventos e viajar.