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Entenda cada um dos títulos do Tesouro Direto e saiba como investir

Pessoas com relatórios sobre os títulos do Tesouro Direto
Victor Leitão
Escrito por Victor Leitão

Entenda cada um dos títulos do Tesouro Direto e saiba como investir

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Você já deve ter ouvido falar ou já sabe o que é Tesouro Direto, não é? O programa fundado pelo Tesouro Nacional e pela principal Bolsa de Valores do Brasil, a BM&F Bovespa, está ganhando cada vez mais popularidade entre os brasileiros.

Com o declínio da poupança, surgiu a necessidade de buscar investimentos mais rentáveis que a caderneta. Este é o caso dos títulos públicos, que oferecem diversas vantagens: baixo custo, praticidade, simplicidade, risco reduzido e, claro, boa rentabilidade.

Os pontos positivos são diversos e é justamente por isso que o programa tem conquistado a preferência dos investidores no Brasil. A possibilidade de liquidez diária e de ser usado como margem de garantia para negociar ações na Bolsa de Valores são outros fatores que contam muito a favor do Tesouro Direto.

O crescente sucesso do programa faz com que o governo busque melhorar frequentemente suas funcionalidades. Uma das mudanças mais importantes foi a alteração dos nomes dos títulos. As siglas pouco úteis deram lugar a nomenclaturas mais fáceis de compreender e de memorizar.

Se você está interessado em conhecer melhor os tipos de títulos disponibilizados ou se está pensando em investir no Tesouro Direto, continue lendo! Você verá que esta modalidade de investimento oferece várias possibilidades e uma delas pode encaixar perfeitamente em suas expectativas.

Conheça cada um dos títulos do Tesouro Direto

Tesouro Prefixado

Esta categoria de título público permite que o investidor saiba precisamente qual será o valor a receber na data de vencimento. Se adquirir uma unidade, o valor bruto a ser recebido ao fim do contrato é de R$ 1.000,00. Por causa de sua rentabilidade preestabelecida, os prefixados apresentam rendimento nominal. Ou seja, é preciso fazer as contas e descontar o percentual de inflação para descobrir o rendimento real da aplicação.

Geralmente são recomendados caso haja indícios de que um indexador da economia, normalmente a Selic, taxa básica de juros no Brasil, será menor do que a taxa prefixada no momento da compra. Portanto, muitas pessoas costumam investir nesta modalidade quando percebem que os juros vão começar a cair.

Tesouro Prefixado (antigo LTN)

Sua principal característica é que o fluxo de pagamento é simples. Isso significa que o investidor recebe todo o valor investido, somado à rentabilidade, no dia do vencimento ou quando solicitar o resgate do título. Para ficar mais claro: o pagamento é feito de uma só vez, quando a aplicação é encerrada.

Quem mantém o título até o vencimento contratado recebe R$ 1.000,00 para cada unidade de papel adquirida. Caso queira comprar apenas uma fração do título, o valor a receber será proporcional ao percentual solicitado.

Tesouro Prefixado com Juros Semestrais (antigo NTN-F)

Se você pretende complementar sua renda, esta pode ser uma boa opção. O tesouro prefixado com juros semestrais oferece ao investidor uma parte dos juros a cada seis meses. Isto é, você vai receber uma antecipação da rentabilidade contratada. Neste caso, o retorno do investimento é repassado ao investidor todo semestre com incidência de Imposto de Renda.

Assim como a categoria anterior, quem mantiver o investimento até o fim do contrato recebe, por cada título comprado, R$ 1.000,00 mais os juros do último semestre de aplicação.

Tesouro Pós-fixado

Para os investidores mais conservadores, os ativos pós-fixados costumam ser mais indicados. Em vez de confiar na tendência de uma taxa, os títulos pós-fixados se adaptam às condições do mercado durante toda a aplicação.

O valor é vinculado a um indexador, que pode ser a taxa básica de juros (Selic) ou a inflação (IPCA) por exemplo. Dessa forma, se o índice contratado subir, a rentabilidade do título também aumenta. Mas se ocorrer uma queda na taxa, o rendimento também cai.

Tesouro Selic (antigo LFT)

Este tipo pós-fixado é muito procurado por investidores interessados em ganhar com a alta da taxa de juros. Ele é muito estimado por quem tem perfil mais conservador e também por aqueles investidores que não sabem com certeza qual será a data de resgate, uma vez que o valor de mercado deste título não sofre tanta variação.

Neste sentido, ao demonstrar baixa volatilidade, quem investe no Tesouro Selic consegue evitar perdas em casos de resgate antecipado. Este título é indicado quando se acredita que a taxa básica de juros vai subir ou deve se manter em um nível elevado.

Com isso, logicamente, os retornos ao investidor serão mais interessantes. É importante destacar, contudo, que a Selic pode oscilar, contrariando as expectativas. Por isso, muitos especialistas recomendam diversificar os investimentos.

O Tesouro Selic geralmente atrai mais atenção quando há momentos adversos na economia. Isso porque, na tentativa de conter a inflação e aumentar seu grau de credibilidade, o governo busca aumentar os juros. Quando a situação econômica demonstra sinais de recuperação, o governo tende a cortar as taxas de juros para impulsionar o crescimento da economia e estimular o consumo da população.

Tesouro Híbrido

O próprio nome já indica a natureza dos títulos híbridos. O fator de remuneração é composto por uma parte prefixada e outra pós-fixada, que geralmente é vinculada ao IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Este indicador da economia é calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para medir a inflação no país.

Quem quer garantir o poder de compra após o vencimento do contrato e não quer perder dinheiro para a inflação no longo prazo, pode aplicar nesta modalidade. Afinal, a vinculação ao IPCA faz com que os retornos sejam sempre acima da inflação.

Tesouro IPCA+ (antigo NTN-B Principal)

Este título é bastante procurado por quem está planejando a aposentadoria ou por quem quer investir na educação dos filhos, justamente por oferecer vencimentos mais longos. A rentabilidade final será sempre acima da inflação, uma vez que parte dela é prefixada e outra parte é indexada ao IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) e, portanto, varia de acordo com o movimento deste índice.

O fluxo de pagamento do Tesouro IPCA+ é simples, ou seja, na data de vencimento ou de resgate, o investidor vai receber todo o valor investido mais a rentabilidade conquistada no período.

É bom ficar atento: caso haja baixa da inflação, este título deve perder atratividade. Por causa da vinculação com um indexador da economia, se houver mudança no cenário econômico para a redução da inflação, a rentabilidade do título segue o movimento de queda.

Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais (antigo NTN-B)

Por oferecer rentabilidade composta por uma taxa de juros prefixada somada à variação do IPCA, este tipo de título público possui retornos acima da inflação. Assim sendo, mesmo que a inflação aumente ou diminua, você receberá um valor total sempre acima dela.

Porém, diferentemente da categoria anterior, o Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais realiza pagamento dos juros ao investidor a cada seis meses. Vale lembrar que no valor será descontado o Imposto de Renda que, por sua vez, terá alíquota definida de acordo com o prazo de aplicação contratado.

Em qual dos títulos do Tesouro Direto devo investir?

Com tantas opções, parece difícil decidir qual o melhor título para aplicar. É comum que muitas pessoas tenham dúvidas. Pensando nisso, o próprio Tesouro Nacional disponibiliza uma calculadora do Tesouro Direto que permite o investidor simular quais os retornos que irá receber, de acordo com o indexador escolhido, o prazo contratado e o valor a ser investido.

É importante ter em mente que você é quem sabe o que é mais interessante para você. Seus objetivos e expectativas devem ser o ponto de partida para a tomada de decisão. De todo modo, nada impede que o investidor busque informação com profissionais do mercado que entendem muito do assunto.

Como vimos, cada um dos títulos do Tesouro Direto tem suas peculiaridades e, a partir disso, é possível traçar algumas referências para ajudar na hora da escolha:

  • O Tesouro Prefixado é recomendado em casos em que o investidor tem um prazo bem delimitado para alcançar seus objetivos financeiros. Deste modo, o título será mantido até o dia de seu vencimento. O fim do contrato é parte importante nesta categoria, já que se quiser vender o título antes do prazo, o investidor corre sérios riscos de ter perdas significativas na rentabilidade final.
  • O Tesouro Selic é indicado para aqueles investidores indecisos, que não sabem exatamente o momento que farão o resgate. Esse título pós-fixado não sofre fortes variações no dia a dia. Assim sendo, pode ser vendido a qualquer momento com chances menores de perder rentabilidade.
  • O Tesouro IPCA+ pode ser a melhor saída para os investidores que têm um prazo bem definido e não querem perder poder de compra. Esse último aspecto costuma ser ainda mais importante em investimentos no longo prazo. Assim sendo, esta categoria é bem interessante pois oferece uma parte da rentabilidade prefixada e a outra vinculada a um indexador da economia, normalmente o IPCA – que serve de parâmetro para medir a inflação. Portanto, mesmo que a inflação suba, a rentabilidade será positiva, uma vez que parte dela está vinculada ao IPCA.

O Tesouro Direto realmente oferece possibilidades para vários perfis de investidor. Contudo, muitos ainda podem se sentir receosos em relação aos riscos de fazer este tipo de investimento.

Apesar de não serem segurados pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), os títulos do programa são bastante seguros pois o risco de calote por parte do emissor (que no caso é o Governo Federal brasileiro) é quase nulo.

De todo modo, uma boa maneira de evitar riscos desnecessários é diversificar suas aplicações. Vale diversificar até mesmo entre as possibilidades de títulos para proteger seu dinheiro. Buscar investimentos melhores que a poupança é o primeiro passo para valorizar seu capital!

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Sobre o autor

Victor Leitão

Victor Leitão

Victor Leitão, coordenador de marketing do Mobills e editor-chefe do Portal Mobills, tem 26 anos, mora em Fortaleza-CE. Formado em Ciências Contábeis pela Universidade Federal do Ceará - UFC e técnico em informática pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará - IFCE. Pesquisador incansável dos temas educação financeira e finanças pessoais. Principais hobbies: assistir filmes/séries, jogar futebol/Dota 2 e viajar.