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Será que é o momento certo para comprar um imóvel?

Victor Leitão
Escrito por Victor Leitão

Será que é o momento certo para comprar um imóvel?

Após um longo período em alta, o mercado imobiliário no Brasil dá sinais de desaceleração. A explicação para a desaceleração no preço dos imóveis é que a oferta de imóveis novos e na planta está muito grande. Em algumas cidades, bem além da demanda e de sua variação histórica.

Sendo assim, na conversa entre amigos uma pergunta é recorrente: será que é o momento certo para comprar um imóvel? A verdade é que o momento em que vivemos requer uma reflexão mais profunda para quem tem em mente comprar um imóvel, seja para moradia ou para investimento.

Pedro de Seixas, professor da Fundação Getúlio Vargas – FGV e coordenador do curso “Gestão de negócios de incorporação e construção imobiliária”, e Waldir Leôncio, planejador financeiro certificado pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros – IBCPF, dão algumas dicas sobre o assunto.

É o momento certo para comprar um imóvel?

Para os que dependem de financiamento e não podem dar uma boa entrada, talvez o momento não seja o ideal

“É um período de complicações na economia, uma situação de muita insegurança com o futuro. A família deve pensar duas ou mais vezes antes de assumir um compromisso de longo prazo. Deve analisar também o risco de desemprego e de manutenção ou até mesmo de diminuição da renda. Além disso, tem a questão das mudanças no financiamento por parte dos bancos. A Caixa, por exemplo, mudou a regra exigindo um valor maior na entrada do imóvel usado. Para piorar, estamos vislumbrando uma tendência de alta nas taxas de juros”, afirma Seixas.

Se você puder esperar, espere. Em algumas localidades, a desaceleração pode aumentar; em outras, os preços podem até cair.

Se não puder esperar para comprar, faça uma pesquisa de preços. Visite salões e feiras de imóveis. Barganhe. Em tempos de oferta maior do que a demanda, o lado forte da negociação é o comprador.

Entretanto, para quem pode pagar à vista, ou quase, a oportunidade é bem interessante

Para Seixas, “o momento favorece a negociação de melhores preços e condições no ato da compra, principalmente para aqueles que estão com o dinheiro em mãos e podem pagar à vista. Já para os que conseguiram guardar algum dinheiro e podem oferecer uma entrada significativamente maior, também pode ser uma ótima oportunidade, pois isso ajuda a diminuir o custo total do financiamento, que é o que diz quanto custa o dinheiro que você está tomando emprestado.”

Alugar pode ser mais vantajoso, para aqueles que ainda não tem todo o dinheiro e sabem poupar

Segundo Seixas, “o aluguel é um ótimo negócio se comparado com a compra por meio de financiamento. Hoje, no Brasil, são praticadas taxas de financiamento imobiliário muito altas em relação ao que é encontrado no resto do mundo e nessa comparação a tendência é a conta financeira ser muito favorável para o aluguel. Se a pessoa tiver a disciplina de pegar o valor que pagaria na parcela de financiamento, tirar dali o aluguel e poupar a diferença, ela faz um melhor negócio. Ademais, na situação de aluguel você tem mais mobilidade e possibilidade de mudança. No geral, é financeiramente mais vantajoso alugar, o problema é a “sensação” de que não está poupando, só gastando”.

Importante analisar o seu perfil

É necessário, ainda, pensar se a compra do imóvel como moradia está sendo planejada no momento familiar adequado. “Considerando um casal jovem, recém-casado e sem filhos, se eles adquirem um imóvel e se fixam ali, ficam desestimulados a oportunidades de mudança em alguma situação na carreira”, considera Leôncio.

Desta maneira, é preciso analisar se realmente vale a pena um investimento de grande porte em uma localidade que não necessariamente será definitiva.

Na hora de fazer uma aquisição, outro ponto a ser considerado é a situação do imóvel. No caso de um apartamento antigo ou mesmo um novo sem acabamento, a proprietária ainda precisa considerar os custos com reformas.

E como investimento?

De acordo com Leôncio, as medidas econômicas que entraram em vigor neste ano tornam o cenário desfavorável para quem tem interesse em comprar um imóvel como investimento. “Estamos em um período de aperto fiscal, o crédito fica mais caro e com isso a demanda diminui”. Ter um imóvel em mãos em um período em que as pessoas estão com maior dificuldade de acesso ao crédito significa um grande risco do imóvel permanecer vazio e gerando despesas (manutenção e IPTU).

Além disso, em um momento como este, os imóveis sofrem uma depreciação, tendo em vista a necessidade de regular a demanda. “Sem contar que hoje temos opções de renda fixa que são mais acessíveis, menos arriscadas e com rentabilidade mais interessante”, afirma o especialista. Uma das grandes vantagens dos ativos de renda fixa é que grande parte deles possui liquidez, ao contrário de um imóvel.

Um recado para quem está indeciso

“Em termos de aquisição, a gente saiu da euforia dos últimos anos onde estava todo mundo muito atraído pela grande valorização do preço dos imóveis. Deve-se entender que o investimento no imóvel não é de curto prazo. A decisão de compra é muitas vezes o plano de vida da família. Tem de ser muito bem analisada, em todos os aspectos. Nesse momento do mercado o poder passa um pouco mais para o comprador, que sempre vai ter mais poder de barganha se puder dar uma entrada maior ou comprar à vista. Isso não é a realidade de todo mundo, portanto, é importante também que as famílias consigam construir a disciplina de poupar. Não dá para ter acesso ao financiamento em melhores condições agora? Comece a poupar desde já, até para comprometer menos a renda no futuro”, conclui Seixas.

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