*Conteúdo publicado originalmente por Folha de S. Paulo

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A festa acabou. Essa é a sensação dos investidores de renda fixa que mantinham ganhos de 1% ao mês quando o juro básico da economia estava em dois dígitos.

Felizmente para eles, algumas gestoras já abraçaram essa nova realidade e passaram a oferecer produtos com uma pitada a mais de risco, mas sem deixar o conservadorismo de lado.

O objetivo é dar acesso a aplicações que, se não vão superar os 10% ao ano, pelo menos vão bater os atuais 7% da taxa básica da economia, a Selic -a perspectiva é que o juro caia ainda mais na reunião do Banco Central de fevereiro, para 6,75%.

O crédito privado, ou seja, dívidas emitidas por empresas para financiar as suas atividades, acaba sendo o principal veículo para obter esse retorno superior ao tradicional.

O leque de opções abrange desde CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) a letras de crédito, entre outros títulos corporativos.

“O risco de crédito vai ser uma variável importante na mudança de alocação do investidor. Até o começo do ano passado, os títulos públicos pagavam uma taxa de juros muito elevada. Hoje, os retornos são muito baixos se comparados há dois anos”, afirma Cristiano Pardi, responsável por renda fixa do UBS Wealth Management Brasil.

Diante desse cenário, os gestores já se movimentam para oferecer alternativas.

A Órama, por exemplo, sentiu a necessidade de ampliar as aplicações do tipo, notando que o investidor, apesar de buscar ganho mais elevado, não quer arriscar tanto a ponto de comprar ações em um ano que pode ser turbulento na Bolsa por causa das eleições.

“Fizemos uma seleção para atender a essa demanda por investimentos conservadores. Tivemos que ampliar a base de renda fixa”, afirma Sandra Blanco, consultora da plataforma de investimentos.

Uma das aplicações desenhadas foi um fundo que tem em sua carteira debêntures incentivadas -títulos lançados para captar dinheiro para obras de infraestrutura.

Além do retorno mais elevado, pelo risco de o emissor não pagar a dívida, os rendimentos são isentos de Imposto de Renda, o que aumenta o ganho para o investidor.

A aplicação inicial para esse fundo está em R$ 1.000.

O risco “seguro” também pode vir de fundos que tenham direitos creditórios na carteira, que são créditos que uma empresa tem a receber (duplicatas, parcelas de cartão de crédito ou outros empréstimos) e que são “empacotados” em um produto oferecido ao investidor.

O risco aqui é de calote de quem precisa pagar o crédito, por isso o retorno maior.

Nesse caso, há incidência de IR, conforme tabela regressiva que começa em 22,5% (para resgate até 180 dias) e vai caindo até 15%, para saque após 720 dias.

Na gestora de recursos Franklin Templeton, fundos com prazos mais longos e investimento no exterior estão entre as alternativas para quem aceita mais risco.

“Os títulos com prazos mais longos estão pagando mais que a Selic e que os juros mais curtos. As curvas estão mais inclinadas do que na história recente”, afirma Rodrigo Borges, diretor de renda fixa da gestora.

Já o investimento no exterior, complementa Borges, ainda tem muito espaço para crescer no país. “O investidor é muito concentrado em ativos brasileiros. Se olhar outros países que já se abriram para isso, tem uma demanda grande”, ressalta.

“Do ponto de vista de cenário interno de eleição neste ano, é uma forma de se proteger de um cenário político conturbado.”

Apesar do apelo de ganhos mais altos, George Wachsmann, sócio da gestora de patrimônio GPS Investimentos, recomenda cautela.

“O investidor tem que correr mais risco se quiser um retorno mais elevado. É razoável neste processo de experimentação e descoberta, mas não se pode forçar o risco nesse investidor”, adverte.

“Este ano, por ter eleições, tem tudo para ter bastante volatilidade. Não é o momento ideal para alguém estar experimentando.”

Gustavo Pires, responsável pela plataforma de fundos e previdência da XP, avalia que fundos puramente conservadores ainda terão demanda.

“Tem pessoas que deixam o patrimônio em caixa para emergências. Tem investidor muito conservador que não vai fazer alteração no portfólio, por ser muito avesso ao risco”, afirma Pires.

Para os anos seguintes, porém, uma gradual mudança de comportamento pode ser interessante, avalia Bernardo Schneider, responsável pela área de renda fixa da Icatu Vanguarda.

“Num cenário de eleição tranquila, o Brasil passa por um momento que possibilita que o juro fique baixo por um bom tempo, o que não é o padrão histórico. Foram raros os momentos que conseguimos ficar com juros tão baixos”, diz.

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