*Conteúdo publicado originalmente por PEGN

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Um caso de assédio na vizinhança fez a arquiteta mineira Priscila Gama, de 34 anos, ter sua primeira ideia fora do mundo do urbanismo: um botão antipânico discreto, camuflado em uma joia, que poderia ser acionado sem alarde por mulheres em situações de perigo.

Sem recursos próprios para tirar o projeto do papel, a mineira optou por abrir uma campanha no site Kickante, de financiamento coletivo (crowdfunding, em inglês). Priscila conseguiu angariar o apoio de 237 pessoas, recebendo um total de R$ 23,8 mil para construir e entregar o objeto.

A arquiteta não é a única a optar por esse tipo de financiamento. Ela é um dos vários brasileiros que decidiram inscrever seus projetos m plataformas de crowdfunding, na tentativa de encontrar aliados desconhecidos.

A “vaquinha online” é uma das principais opções para quem precisa arrecadar dinheiro para ideias de alto custo ou reforçar o capital de giro de um projeto já iniciado.

Porém, atrair a atenção de doadores pode se revelar um desafio se não tiver um argumento de venda convincente.

“Os custos de impostos, desenvolvimento de hardware e mão de obra pesam muito para quem quer pôr em prática um projeto de tecnologia”, diz Marcelo Pimenta, professor de Gestão da Inovação da Escola Superior de Marketing e Propaganda (ESPM). “O crowdfunding ainda é a melhor opção para quem quer tirar uma ideia do papel.”

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No caso do projeto do botão de pânico camuflado, o dinheiro arrecadado foi indispensável para aperfeiçoar a tecnologia por trás da joia, chamada de Malalai. Hoje, quando o botão é acionado, o aplicativo envia um SMS para um número previamente cadastrado pela usuária, com dados sobre sua localização.

Em breve, o dispositivo também enviará notificações quando a mulher passar por uma região marcada pelo aplicativo como perigosa.

Para bater e superar a meta dos R$ 20 mil que precisava arrecadar, Priscila arregaçou as mangas. Fez contatos com startups e outros empreendedores e enviou o link do site de vaquinha online para eles quando o projeto entrou no ar. A tarefa não foi fácil, mas ajudou no marketing do dispositivo. Ela até já recebeu pedidos para uma segunda remessa.

Segredo

Para ter êxito na vaquinha online, é preciso sondar com antecedência o interesse pelo produto. Foi o que fez Ross Atkin, fundador do Smartibot, um robô montável feito de papelão e dotado de inteligência artificial. O projeto está a oito dias de encerrar a campanha em um site de financiamento coletivo.

A meta de US$ 13 mil já foi superada há tempos: até o fechamento da reportagem, o projeto havia arrecadado US$ 63,4 mil.

Atkin, porém, não é novato nesse mercado. Em 2015, lançou seu primeiro projeto, o The Crafty Robot, versão mais simples do robô atual. À época, levantou US$ 33 mil.

Para ter sucesso, a ideia apresentada precisa combinar com o perfil dos investidores que se concentram na plataforma escolhida.

O preço da “cota” também é um fator importante: se for baixo demais, pode parecer que o produto não tem valor; se for muito alto, talvez soe arriscado para os apoiadores. “É importante saber exatamente como você fará o produto, com quais parceiros e a que custo”, frisa Atkin.

O SheZmirror, um espelho inteligente munido com câmera de alta definição, e capaz de analisar a pele dos usuários, é um exemplo de projeto que soube casar custo e benefício – e já recebeu US$ 14,3 mil em investimentos. O mesmo ocorreu com o AstroReality, aplicativo de realidade aumentada que ensina características de países indicados em um globo, que faturou US$ 188,5 mil.

Para Pimenta, da ESPM, a maturidade do mercado americano facilita o sucesso. “É mais barato fazer, e os apoiadores gostam desse tipo de projeto”, diz. Priscila, da joia antipânico, cogitou apresentar a ideia no exterior. “Pensei em fazer fora porque lá a cultura é mais forte, mas optamos ficar por aqui. Ainda bem que deu certo.”

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