O Copom enfatizou que seus próximos passos continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação.

Novo corte na Selic: a taxa agora está em 4,5% ao ano!

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Nesta quarta-feira (11/12), o Comitê de Política Monetária (Copom), órgão do Banco Central, decidiu reduzir mais uma vez a Selic – taxa básica de juros da economia – em 0,5 ponto percentual.

A taxa caiu de 5% para 4,5% ao ano (nova mínima histórica) e se manterá nesse patamar pelos próximos 45 dias.

Sendo assim, confirmou-se o quarto corte consecutivo na Selic, o que já era amplamente esperado pelo mercado financeiro.

Neste novo comunicado, no entanto, os dirigentes do BC disseram que “o atual estágio do ciclo econômico recomenda cautela na condução da política monetária”.

Desse maneira, os passos seguintes a serem tomados parecem estar em aberto, e devem se basear no acompanhamento dos indicadores econômicos pelo próximo 1 mês e meio.

“O Comitê enfatiza que seus próximos passos continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação”, de acordo com as palavras presentes no documento.

O longo período de cortes na Selic, ainda que tenham acontecido algumas interrupções, teve origem no fraco desempenho da economia brasileira, refletida em baixos níveis de consumo e, por consequência, na inflação – isto é, a variação média dos preços.

Neste ano, o Banco Central se comprometeu a entregar a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA entre 2,75% a 5,75% ao ano, sendo o centro dessa meta os 4,25% ao ano.

O IPCA mais recente mostra uma inflação em 12 meses, medida em novembro, de 3,27%.

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Esta foi a última reunião do Copom em 2019. O primeiro encontro de 2020 ocorre nos dias 4 e 5 de fevereiro.

Principais consequências da nova redução na taxa Selic

Podemos analisar os efeitos sobre a queda da taxa básica de juros da economia sob 4 perspectivas:

Consumidor

Quando o Copom reduz a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo ao consumo e à produção.

Investidor

Renda Fixa perde atratividade.

Deve-se buscar maiores rentabilidades através da renda variável, onde se destacam os fundos imobiliários e ações.

Empresas

Com os juros menores, as despesas financeiras diminuem.

Como há mais dinheiro migrando para a bolsa de valores (a partir do movimento dos investidores que buscam uma melhor rentabilidade), mais capital acaba fluindo para dentro das companhias.

Portanto, o incentivo para investir em expansão aumenta.

Estado

Os gastos com custos e rolagem da dívida pública diminuem. Desse modo, a escalada da dívida perde força.

Além disso, com a grana dos investidores fluindo da renda Fixa para a renda variável e entrando mais dinheiro nas empresas, há uma maior geração de crescimento, aumento na arrecadação e melhor resultado fiscal público, o qual gera uma queda no risco país.


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Como ocorre a definição da Selic

O Copom reúne-se a cada 45 dias para fixar a Selic, o principal objetivo é o cumprimento da meta de inflação, a qual é definida pelo Conselho Monetário Nacional – CMN.

Como já citei no início do post, a meta central de inflação para 2019 era de 4,25% e atualmente está em 3,27%.

Quando a inflação indica que ficará acima da meta ou está alta, o Copom eleva a Selic.

Dessa maneira, os juros cobrados pelos bancos tendem a subir, o crédito fica caro e o consumo tende a diminuir, assim, há uma redução do dinheiro que circula na economia.

Com isso, a inflação costuma cair.

Por outro lado, se as estimativas para a inflação estiverem alinhadas com a meta, o que está ocorrendo no cenário atual, é possível reduzir os juros.

Isso estimula a produção e o consumo.

Para 2020, a estimativa é de 4% – com oscilação de 2,5% a 5,5%.

Histórico

Como já mencionado, com a decisão desta quarta-feira, a Selic chegou ao menor percentual desde 1999, quando começou o regime de metas para a inflação.

De outubro de 2012 a abril de 2013, a taxa foi mantida em 7,25% ao ano e, a partir desse momento, foi sendo reajustada gradualmente até alcançar 14,25% ao ano (julho de 2015).

A Selic permaneceu nesse patamar até outubro de 2016, quando o Copom voltou a diminuir os juros básicos da economia até alcançarem 6,5% ao ano (março de 2018).

10 reuniões se passaram sem que a taxa fosse alterada.

Então, em julho, o Comitê decidiu baixar a taxa para 6% ao ano, menor patamar até então.

Em setembro, novo corte, atingindo 5,5%, o terceiro em outubro e agora o quarto seguido.

Evolução da taxa Selic desde janeiro de 2016

2016 2017 2018 2019
Jan 14,25 13,75 -> 13 7 6,5
Fev 14,25 13 -> 12,25 7 -> 6,75 6,5
Mar 14,25 12,25 6,75 -> 6,5 6,5
Abr 14,25 12,25 -> 11,25 6,5 6,5
Mai 14,25 11,25 -> 10,25 6,5 6,5
Jun 14,25 10,25 6,5 6,5
Jul 14,25 10,25 -> 9,25 6,5 6,5 -> 6
Ago 14,25 9,25 6,5 6
Set 14,25 9,25 -> 8,25 6,5 6 -> 5,5
Out 14,25 -> 14 8,25 -> 7,5 6,5 5,5 -> 5
Nov 14 -> 13,75 7,5 6,5 5
Dez 13,75 7,5 -> 7 6,5 4,5

Comunicado do Copom na íntegra

A atualização do cenário básico do Copom pode ser descrita com as seguintes observações:

Dados de atividade econômica a partir do segundo trimestre indicam que o processo de recuperação da economia brasileira ganhou tração, em relação ao observado até o primeiro trimestre de 2019. O cenário do Copom supõe que essa recuperação seguirá em ritmo gradual;

No cenário externo, a provisão de estímulos monetários nas principais economias, em contexto de desaceleração econômica e de inflação abaixo das metas, tem sido capaz de produzir ambiente relativamente favorável para economias emergentes;

O Comitê avalia que diversas medidas de inflação subjacente encontram-se em níveis confortáveis, inclusive os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária;

As expectativas de inflação para 2019, 2020, 2021 e 2022 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 3,8%, 3,6%, 3,75% e 3,5%, respectivamente;

No cenário com trajetórias para as taxas de juros e câmbio extraídas da pesquisa Focus, as projeções do Copom situam-se em torno de 4,0% para 2019, 3,5% para 2020 e 3,4% para 2021. Esse cenário supõe trajetória de juros que encerra 2019 em 4,50% a.a., reduz-se para 4,25% no início de 2020, encerra o ano em 4,50% e se eleva até 6,25% a.a. em 2021. Também supõe trajetória para a taxa de câmbio que termina 2019 em R$4,15/US$, 2020 em R$4,10/US$ e 2021 em R$4,00/US$; e

No cenário híbrido com taxa de câmbio constante a R$4,20/US$* e trajetória de juros da pesquisa Focus, projeta-se inflação em torno de 4,0% para 2019, 3,7% para 2020 e 3,7% para 2021.

O Comitê ressalta que, em seu cenário básico para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções. Por um lado, (i) o nível de ociosidade elevado pode continuar produzindo trajetória prospectiva abaixo do esperado. Por outro lado, (ii) o atual grau de estímulo monetário, que atua com defasagens sobre a economia, em um contexto de transformações na intermediação financeira, aumenta a incerteza sobre os canais de transmissão e pode elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária. O risco (ii) se intensifica no caso de (iii) deterioração do cenário externo para economias emergentes ou (iv) eventual frustração em relação à continuidade das reformas e à perseverança nos ajustes necessários na economia brasileira.

Considerando o cenário básico, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, pela redução da taxa básica de juros para 4,50% a.a. O Comitê entende que essa decisão reflete seu cenário básico e balanço de riscos para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui o ano-calendário de 2020 e, em grau menor, o de 2021.

O Copom reitera que a conjuntura econômica prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural.

O Copom avalia que o processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira tem avançado, mas enfatiza que perseverar nesse processo é essencial para permitir a consolidação da queda da taxa de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia. O Comitê ressalta ainda que a percepção de continuidade da agenda de reformas afeta as expectativas e projeções macroeconômicas correntes.

O Copom entende que o atual estágio do ciclo econômico recomenda cautela na condução da política monetária. O Comitê enfatiza que seus próximos passos continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Roberto Oliveira Campos Neto (Presidente), Bruno Serra Fernandes, Carolina de Assis Barros, Fábio Kanczuk, Fernanda Feitosa Nechio, João Manoel Pinho de Mello, Maurício Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso e Paulo Sérgio Neves de Souza.


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Postado em: Notícias


Escrito por Victor Leitão

Victor Leitão, Líder de Conteúdo e SEO na Mobills. Consultor financeiro pessoal. Pesquisador incansável dos temas educação financeira e finanças pessoais. Formado em Ciências Contábeis pela Universidade Federal do Ceará.


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