Estilo de Vida

Não se endivide para impressionar ninguém!

Mulheres com sacolas de compras simbolizando o tema Não se endivide para impressionar ninguém
Victor Leitão
Escrito por Victor Leitão

Entenda por que se endividar e viver de aparências não é um bom negócio.

Não se endivide para impressionar ninguém!

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Uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) realizada em todas as capitais do país apenas com internautas que vivem fora do seu padrão de vida, isto é, fecham o mês sem dinheiro sobrando ou gastam mais do que podem, revelou que 1 em cada 4 (25%) dos entrevistados admitiu comprar produtos que extrapolam o seu orçamento com o objetivo de agradar outras pessoas. O percentual é maior entre pessoas com idade entre 25 e 35 anos (35%).

De acordo com o levantamento, 12% dos entrevistados compram mais do que podem com o intuito de manter a boa imagem ou a reputação perante a sociedade e 11% fazem suas compras baseando-se mais no que as pessoas próximas vão achar deles do que na própria satisfação pessoal.

Na visão do educador financeiro José Vignoli, o estudo demonstra que muitos consumidores idealizam para si um padrão de consumo que normalmente não corresponde aos limites do seu próprio orçamento pessoal.

“Isso geralmente acontece porque muitos desses consumidores querem transmitir às pessoas do seu convívio, como parentes, amigos e colegas de trabalho, que eles são pessoas realizadas e bem-sucedidas, o exemplo claro disso é que 66% dos entrevistados disseram ficar felizes quando recebem elogios por algo que compraram”, explica Vignoli.

Ainda segundo a pesquisa, 6 em cada 10 (59%) entrevistados reconhecem que a expectativa de melhorarem de vida e a necessidade de conquistar coisas novas esclarecem, em parte, o fato deles gastarem mais do que deveriam.

Há também aqueles que estouram o orçamento ou fecham o mês sem dinheiro sobrando porque gostam de manter uma vida pomposa e confortável (24%) e os que atribuem às dificuldades enfrentadas no dia a dia (18%) a razão para não efetuarem o controle do orçamento doméstico.  

No entanto, segundo a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, para piorar o problema, essa atitude não pode ser relacionada somente aos jovens. O brasileiro de uma maneira geral tem esse comportamento de se endividar para agradar, o que é muito ruim.   

“Em qualquer momento, isso já seria uma péssima ideia. Ainda mais agora, quando vivemos uma crise e todos deveriam estar se preocupando em ajustar as finanças pessoais”, observa Marcela, ressaltando o momento econômico complicado. “Deveríamos viver, nesse momento, com um padrão de vida mais equilibrado e guardando um pouco”, conclui.   

De acordo com o economista José Maria Porto, o jovem de hoje é a maior vítima da sociedade de consumo. Ele citou um estudo da Universidade de Stanford nos Estados Unidos, que mostrou que 34% dos entrevistados disseram ser viciados em seus smartphones. “É um verdadeiro “bombardeio” de produtos que são vendidos diariamente através da mídia, principalmente pela internet, a qual é facilmente acessada pelo público mais jovem”, diz.

O especialista em finanças pessoais afirma que paga-se muito caro pelo consumo de produtos de marca, para ter uma falsa sensação de poder e status. “Esse tipo de jovem procura se diferenciar dos demais de alguma forma, é a sociedade do “ter” em detrimento do “ser”.   

Para Porto, a sociedade moderna precisa repensar os valores que realmente importam na vida, pois muito do que se precisa para viver, é de graça. “Experimente praticar o bem, amar verdadeiramente sua família, jogar conversa fora com um amigo, praticar uma atividade física em locais públicos, passear na praia ou num parque e vários outros gestos simples que realmente tornam uma pessoa diferente, uma pessoa melhor”, exemplifica.

Não se endivide para impressionar quem quer que seja!

 

Internautas admitiram reparar no celular, na roupa e na casa de colegas

Reparar nos bens materiais de familiares e amigos é comportamento frequente entre os consumidores entrevistados. Segundo dados da pesquisa, 46% dos internautas ouvidos admitem reparar no apartamento ou na casa dos familiares e amigos – especialmente as mulheres (51%).

Dando continuidade na lista, os outros produtos que os entrevistados mais observam nas pessoas a sua volta são a forma como se vestem (42%), o modelo de carro de familiares e amigos (42%) e a marca de celular que possuem (40%).

Outro dado interessante é que quando um amigo ou familiar adquire um celular novo, 37% dos entrevistados garantem ficar com vontade de comprar um para si também. Comportamento similar é observado no caso das compras de roupas (35%) e de automóvel (30%).  

“Através das coisas que possuem, os consumidores podem demonstrar prestígio, poder e expressar a sua identidade perante os outros. Por isso que algumas pessoas se sentem tão influenciadas pelos hábitos de consumo das pessoas com as quais convivem”, explica o educador financeiro José Vignoli.

Influências sociais no consumo dos entrevistados

Visando mensurar a influência e o impacto que as novas aquisições de outras pessoas exercem sobre o entrevistado, o estudo preparou algumas simulações.

No primeiro questionamento, perguntou-se aos entrevistados se sairiam com os colegas de trabalho para um happy hour após o expediente mesmo com o orçamento apertado. 30% admitiram que sim, sendo que 19% nem lembrariam do orçamento para aproveitar o momento e 11% iriam à confraternização porque ficariam preocupados com o que as demais pessoas poderiam falar ao seu respeito. 

Em outra pergunta, questionou-se o que o entrevistado faria caso seu filho pedisse para ganhar um celular novo, uma vez que seus colegas possuem um modelo mais moderno. Para 46% dos entrevistados a compra de um novo celular não seria justificável neste caso e, portanto, não realizariam a compra, porém, 39% comprariam o aparelho mais moderno, ainda que, em alguns casos, tivessem que economizar para isso.

Embora grande parte dos entrevistados (80%) tenha dito que veio de famílias cujos pais eram equilibrados financeiramente ou econômicos, 4 em cada 10 internautas disseram não ter recebido qualquer educação financeira dentro do ambiente familiar.

“Extrapolar os limites do próprio orçamento para manter um padrão de vida incompatível com a renda familiar, seja para provar algo diante dos outros ou para agradar a si mesmo, é uma atitude arriscada e que pode causar sérios danos para a saúde financeira do consumidor”, sustenta Vignoli.

Conclusão

Para Alessandra Araújo, professora dos cursos de Finanças e Ciências Econômicas da Universidade Federal do Ceará (UFC), a pesquisa mostra um retrato típico de uma geração em que a imensa maioria das atividades é realizada pela internet e que usa a rede social para todos os fins.

“É uma vida baseada em aparência, que, somada ao crédito fácil, tem como caminho comum a inadimplência”, explica, ressaltando que o brasileiro não tem a cultura da educação financeira.    

Já o consultor financeiro pessoal Kleber Rebouças afirma que é uma pena que o consumo desastroso seja algo valorizado. Ele concorda que é muito bom dar presentes e ficar satisfeito em saber da aprovação de outras pessoas. “Contudo, sacrificar sua saúde financeira com objetivo único de presentear ou mostrar um status incompatível com sua renda é péssimo. Os jovens deveriam ser estimulados a guardar para o futuro e aproveitar o presente”, observa.

Por último, o pesquisador, professor e consultor de finanças pessoais e comportamentais da UFC, Érico Veras Marques, destaca que muitas das decisões financeiras são influenciadas por aspectos emocionais. “Diversas pessoas compram para serem aceitas, por imposições sociais”, diz, acrescentando que para alguns comprar significa ser amado, ter amigos, não ficar só.

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