*Conteúdo publicado originalmente por G1

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O Itaú implantou a tecnologia-chave por trás do bitcoin e de outras criptomoedas em uma de suas operações financeiras.

O banco faz parte de uma onda de instituições financeiras que mantêm distância das moedas virtuais, por não serem reguladas nem obedecerem regras de autoridades financeiras, mas veem com bons olhos a “blockchain” (corrente de blocos, em tradução literal), tecnologia fundamental para essas divisas.

Espécie de grande “livro contábil digital”, a “blockchain” registra vários tipos de informações de forma segura, criptografada e verificável. Além disso, esses dados podem ser armazenados de forma distribuída, ou seja, por vários computadores. Isso impede que a supressão de alguma informação inviabilize a reconstituição da corrente inteira.

Imagine um “livro contábil”, cujas “páginas” estão armazenadas em várias “bibliotecas” espalhadas pelo mundo. Apagar o conhecimento presente nesta publicação é difícil, porque suas várias “cópias” não estão no mesmo lugar. Alterar esse conhecimento também é tarefa árdua, já que as informações impressas nessas “folhas” foram codificadas.

“Essa é uma tecnologia em que a gente aposta, olhando a força da segurança e da criptografia que ela tem, além da forma transparente com que as transações podem acontecer, o que dá maior visibilidade para todos os integrantes”, diz Cristiano Cagne, diretor de operações do Itaú Unibanco. O executivo diz que o banco é o primeiro brasileiro a implantar uma solução baseada nessa tecnologia.

Corrente de blocos

Funcionando plenamente desde janeiro, a tecnologia é chamada de Blockchain Collateral e não é voltada aos clientes pessoa física do banco. Os dados registrados nessa “corrente de blocos” são as chamadas de margem de garantias de derivativos negociados em balcão.

Essas operações são contratadas junto por investidores que querem se proteger da variação futura de um ativo. O derivativo prevê uma margem segura de flutuação da cotação. Como os pagamentos são feitos apenas ao final da vigência do acordo, o contratante tem que fazer um depósito assim que a operação é realizada. Ou seja, dá uma garantia de que vai saldar a dívida. Só que esse valor muda conforme a oscilação do preço do ativo que dá lastro ao contrato e com uma fórmula acordada entre as partes.

Esse cálculo é alvo de intensa discussão entre os envolvidos. “Anteriormente, você tinha uma troca de e-mail infindável e e-mail não é uma das melhores formas de guardar e validar esse tipo de situação”, explica Cagne.

Um bloco só

Para facilitar esse processo, a “blockchain” do Itaú registra a fórmula para calcular essa margem. “Aquilo fica criptografado e definitivamente gravado. Se, por qualquer tipo de problema no futuro, for necessário recorrer àquela situação, ela está ali. E a partir dali é que se tem uma discussão, mesmo que jurídica.”

A “corrente de blocos” do banco funciona de forma diferente da de moedas virtuais, em que todas as trocas de valores é que são registradas e ficam visíveis para qualquer um. Como são as transações de moedas que entram nos “blocos”, o emparelhamento deles forma uma grande cadeia. No Blockchain Collateral, há só um bloco.

“A gente não está fazendo diversos blocos, porque eu não tenho por que dar transparência de uma operação que eu fechei com o banco A para bancos C, D e E. É diferente da criptomoeda, em que você tem que fazer isso. Todo mundo precisa ver e todo mundo precisa concordar. Aqui, são só as duas partes que precisam concordar”, diz o diretor do Itaú.

Por enquanto, o Itaú adotou a “blockchain” para contratos de derivativos de balcão com outros bancos. Dois já participam da iniciativa e outros dois manifestaram interesse. Os nomes deles não foram revelados.

A tecnologia usada pelo banco brasileiro utiliza a plataforma Corda, criada e mantida pelo consórcio internacional R3. A organização reúne instituições financeiras e empresas de tecnologia, como Microsoft, Intel e Oracle, que desenvolve soluções de “blockchain”. Além do Itaú, o Bradesco também faz parte da R3.

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