Planejamento Financeiro

Gestão financeira do casal: obstáculos a serem superados rumo ao sucesso

Casal feliz no parque simbolizando o tema Gestão financeira do casal
Nildo Nelson da Silva

Problemas com dinheiro costumam gerar brigas, discussões e são um dos principais motivos dos divórcios.

Gestão financeira do casal: obstáculos a serem superados rumo ao sucesso

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Quando o gerenciamento das finanças é feito de forma individual, é mais fácil planejar e alocar os recursos, pois todos os objetivos obedecem aos critérios de escolha de apenas uma pessoa.

Entretanto, quando se trata da gestão financeira a dois, a situação fica um pouco mais complicada, visto que o que é importante para um pode não ser importante para o outro. E isso, em muitos casos, desestimula o planejamento financeiro e a conquista das metas em conjunto ou mesmo individualmente.

Dessa maneira, resolvi listar os oito principais obstáculos que normalmente se apresentam nos relacionamentos quando a questão é dinheiro.

Os 8 maiores obstáculos na gestão financeira do casal

 

1 – Dificuldade de se conectar com um sonho em comum

Muitos casais afirmam que a ausência de metas e sonhos no relacionamento acontece em função da escassez de dinheiro. Talvez seja verdade.

Contudo, deve-se considerar a possibilidade de que a construção de um sonho de grande significado a dois é o que pode estar faltando para alavancar os recursos financeiros, para se ter uma experiência de abundância e, principalmente, para favorecer o fortalecimento da relação.

Quando se tem um propósito empolgante, previamente visualizado e sentido, todos os recursos internos se mobilizam para essa conquista. Uma mente direcionada para uma meta gera inúmeras possibilidades e soluções para a geração de recursos financeiros.

Alguns sacrifícios são prontamente aceitos em nome de um objetivo significativo como, por exemplo, metas de redução de determinadas despesas, criação de rendas extras e manutenção de poupanças direcionadas a cada objetivo.

O bom disso tudo é que durante esse processo se percebe o quanto é possível aprender com a jornada e dar significado ao relacionamento quando existe o cume de uma montanha a ser conquistado. Nesse caso, talvez não seja somente pela conquista em si, mas pelo significado da escalada.

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2 – Desconsideração do sonho individual

No item acima, foi destacada a importância de se construir um sonho a dois como fator positivo para o enriquecimento da relação.

Entretanto, há que se considerar o fato de que somos seres singulares, com preferências, gostos e, também, sonhos próprios. Quando isso não é considerado no relacionamento, acabam ocorrendo anulações, frustrações e infelicidades.

Nesse sentido, é necessário respeitar e apoiar os sonhos e objetivos do outro em nome da felicidade dele. Isso é uma verdadeira demonstração de amor e companheirismo. 

Desse modo, assegurar uma verba para a realização dos sonhos individuais deve ser uma parte importante do planejamento financeiro

3 – Ausência de um planejamento financeiro

O planejamento financeiro, num primeiro momento, pode ser entendido como algo monótono ou mesmo difícil. Ter que estabelecer e cumprir metas de orçamento, além de registrar todas as despesas em um aplicativo de gestão financeira pessoal ou mesmo numa planilha eletrônica, causa repugnância e desânimo em muitas pessoas.

Imagine fazendo isso a dois? Por isso, muitas pessoas levam a vida no estilo Zeca Pagodinho: “Deixa a vida me levar”. Ou seja, vivem somente para pagar as contas, quando não juros aos bancos e financeiras.

O controle dos gastos e receitas deve ser a primeira e principal estratégia para quem, sozinho ou acompanhado, quer conquistar a liberdade financeira e realizar pequenos e grandes objetivos na vida. Entender onde e como estou é o primeiro passo antes de definir aonde quero chegar.

É possível até imaginar, visualizar, sentir o sabor da conquista e se encher de recursos para iniciar a ação, mas se antes disso não se olhar para a situação atual e tudo que está se manifestando, é muito provável que as ações não serão corretas e, portanto, não levarão a lugar algum.

O planejamento financeiro possibilita, entre outras coisas, essa análise necessária da situação atual de forma verdadeira, iluminando o caminho rumo aos objetivos e conquistas. Quando não se tem um mapa, não importa o território a ser explorado, tudo será desconhecido e aterrador.

4 – Dificuldade em dialogar sobre dinheiro

Não existe a mínima condição de se iniciar um planejamento financeiro a dois quando existe a dificuldade de se estabelecer um diálogo sobre dinheiro. Em muitos casos, esse assunto é motivo de brigas, confusões e, na pior das situações, separações e divórcios.

Um casal que não consegue dialogar sobre o dinheiro e direcionar os recursos para o que realmente é importante, está fadado à estagnação financeira ou mesmo ao empobrecimento. Isso parece óbvio, não é mesmo? Mas é bastante comum essa limitação e fonte de infelicidade em muitos relacionamentos.

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A dificuldade de falar sobre dinheiro no relacionamento por um dos cônjuges, por exemplo, pode estar relacionada a alguma experiência negativa na infância com origem em motivos financeiros, a qual causou algum trauma que afeta a pessoa quando adulta. Assim, ela evita falar sobre o assunto e quando é pressionada a falar, fica irritada. Essa é uma hipótese entre tantas outras.

Nesse caso, a busca por um terapeuta financeiro poderá ajudar a ressignificar a experiência negativa e tornar a pessoa consciente de que, no momento presente, é importante falar sobre esse tema, pois isso contribui para a paz e a felicidade da família.

Com esse obstáculo superado e com a fluência do diálogo no ambiente familiar, é possível iniciar uma nova jornada rumo ao equilibro e à conquista dos objetivos.

Sentar e conversar sobre os recursos financeiros, estratégias de investimentos e conquista de sonhos é a melhor atitude para quem quer prosperar.

5 – Opressão financeira

Quando um dos parceiros é extremamente econômico ao ponto de se tornar um sovina, acabam acontecendo alguns problemas nos relacionamentos. Qualquer compra que é feita, é motivo de brigas. Nesse caso, um dos parceiros se sente oprimido pelo comportamento sovina do outro.

O contrário também é verdadeiro. Pode ser que um dos parceiros seja compulsivo por consumo e gaste tudo que ganha e mais os ganhos do parceiro, o que força o outro a trabalhar intensamente para pagar as dívidas e viver uma vida baseada na constante pressão financeira.

Em ambas as situações, o casal precisa de ajuda para superar esse obstáculo. Eles precisam primeiramente tomar consciência desse defeito e buscar ajuda terapêutica no sentido do autoconhecimento, mudança de comportamento e análise profunda das causas.

Para tudo há uma solução quando se quer viver em paz rumo à meta maior, que é a felicidade.

6 – Infidelidades financeiras

Esse tipo de infidelidade ocorre quando um dos cônjuges tem o hábito de fazer compras ou adquirir dívida escondido do parceiro ou parceira, o que causa grandes problemas e conflitos, muitas vezes, insuperáveis, nos relacionamentos.

Isso acontece pela dificuldade de se dialogar sobre dinheiro e de se manter um planejamento financeiro em conjunto. Outra hipótese é o sentimento de frustração causado pela repressão financeira de um dos cônjuges, com comportamento sovina, que faz com que o outro pratique essa infidelidade na busca da satisfação pessoal.

Os antídotos para esse envenenamento da relação são a flexibilidade, o diálogo e o respeito da necessidade do outro. Dentro planejamento financeiro, as necessidades das partes envolvidas devem ser consideradas e asseguradas. É possível conciliar controle financeiro, flexibilidade e consumo com inteligência.

Se é importante para o outro comprar livros, ir à manicure, jogar futebol… então, isso deve ser previsto e assegurado no planejamento financeiro. Afinal, a meta maior sempre é a felicidade do casal.

7 – Contas separadas

Outro erro muito frequente na gestão financeira do casal é a separação das contas. Muitos casais insistem em manter contas bancárias separadas e dividem as despesas conforme o valor que cada um recebe. Exemplo: Você ganha “X” então paga a energia elétrica, água e o condomínio. Eu ganho “2X” e pago as despesas maiores.

É muito comum um parceiro não saber ao certo quanto o outro ganha e o quanto tem investido; e pior ainda, qual é o objetivo desse investimento.

Isso não quer dizer que esse tipo de relacionamento não dê certo. Em algumas situações e estilos de vida, acredito que sim. Porém, quando se trata de objetivos em comum, fica complicado esse tipo de gestão financeira.

A sugestão, partindo do pressuposto de que o casal está junto no propósito de prosperar, é que todas as receitas sejam somadas e que seja mantido um planejamento financeiro único. Não importa se o outro ganha menos ou mais. O que importa é a renda da família no seu todo.

Muitas vezes, um dos cônjuges se desenvolveu profissionalmente, porque em algum momento, seja qual for a forma, o outro se sacrificou para que esse desenvolvimento acontecesse. Logo, nesse caso, o resultado é dos dois.

Numa união voltada para inteligência financeira, ou seja, quando tudo é colocado “num monte só”, e depois direcionado para o que é importante e que possibilita qualidade de vida para todos, o relacionamento fica mais forte e a realização de sonhos, mais frequente.

Para quem não tem esse procedimento, está aí uma sugestão de um primeiro passo rumo ao equilíbrio financeiro.

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8 – Síndrome do provedor

Por uma questão cultural influenciada pelo modelo patriarcal, existem muitos homens que assumem a postura de ser o único provedor, o “todo poderoso”. Não que isso seja exclusivo dos homens, visto que nos últimos tempos muitas mulheres também têm assumido esse papel.

O fato é que esse tipo de comportamento centralizador acaba limitando o desenvolvimento da inteligência financeira dos que são providos – nesse sentido, o cônjuge e filhos –, como também traz para o provedor uma carga muito pesada para ser carregada: manter a família nas suas necessidades, desejos e caprichos.

Não é raro acontecer de o provedor falecer e os familiares ficarem completamente perdidos por não saberem lidar com as finanças. O ideal é criar no ambiente familiar uma postura que proporcione o desenvolvimento da inteligência financeira, no qual todos possam participar de alguma forma.

Se não for com renda, que seja então com alguma responsabilidade relacionada ao orçamento familiar. Dessa forma, alivia-se o peso financeiro sob uma única pessoa e se distribui sobre todos os membros da família.

Assim, todos participando, o ambiente familiar se fortalece, e as possibilidades de realizações de sonhos aumentam significativamente.

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Sobre o autor

Nildo Nelson da Silva

Nildo Nelson da Silva

Nildo Nelson da Silva, é Master Coach certificado por Europan Coaching Association; consultor na área de finanças pessoais e de pequenos negócios; pesquisador incansável na área de finanças e economia comportamental; tem 47 anos, mora em Blumenau - SC. Formado em Ciências Econômicas pela Universidade do Vale do Itajaí; pós-graduação em Logística Empresarial - INBRAPE/UNIVALI. Tem como missão de vida ajudar as pessoas no desenvolvimento da inteligência financeira. Hobbies: Músico violonista - compositor.