Investimentos

Fundos de Investimento: o que são?

Ilustração de uma árvore com sacos de dinheiro no lugar de folhas simbolizando o tema fundos de investimento

Fundos de Investimento: o que são?

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O que são fundos de investimento? Vale a pena investir? E os impostos come-cotas, vão acabar com o meu rendimento? Calma! Não se preocupe! Desmistificaremos os fundos de investimento a seguir:

O que são fundos de investimento?

Imagine que você queira comprar um CDB – Certificado de Depósito Bancário. Se vocês não sabem, CDB é um tipo de ativo de renda fixa, assim como a Caderneta de Poupança, a LCA – Letra de Crédito do Agronegócio ou uma debênture, por exemplo.

Então, você observa que a aplicação mínima naquele determinado CDB é de R$ 6.000,00 e você não tem esse valor. Como você poderia ter acesso a esse produto com pouco dinheiro? Uma solução seria esperar acumular mais capital, mas acredite se quiser, você tem outra saída: investir em fundos de investimento.

Um fundo de investimento é um condomínio em que diversos cotistas aplicam recursos juntos, os quais se tornam o patrimônio do fundo de investimento, e são investidos por um gestor em busca de retorno para os diversos cotistas. Vou tentar exemplificar isso de uma forma um pouco mais didática:

Imagine que João adquira duas mil cotas de um fundo de investimento, no valor de R$ 1,00 cada uma, totalizando R$ 2.000,00 (2.000 x R$ 1,00). Já Maria possui quatro mil cotas, e como cada uma das cotas vale atualmente R$ 1,00, ela tem um total de R$ 4.000,00 (4.000 x R$ 1,00). Por fim, Pedro tem participação igual à de Maria, possuindo também um valor de R$ 4.000,00 naquele fundo de investimento. Sendo assim, o patrimônio total do fundo é de R$ 10.000,00 (R$ 2.000,00 + R$ 4.000,00 + R$ 2.000,00).

Esse patrimônio será aplicado em títulos e valores mobiliários pelo fundo de investimento, buscando rentabilidade, sendo que cada investidor terá direito aos recursos proporcionais ao seu número de cotas.

Agora, suponhamos que os investimentos feitos pelo fundo de investimento tragam retorno, e o patrimônio de R$ 10.000,00 evolua para R$ 12.000,00. Obviamente, quando falamos sobre o patrimônio de um fundo de investimento, trabalhamos com valores muito mais altos, mas deixemos aqui, por questões didáticas, esses números menores.

As 10.000 cotas existentes (2.000 de João, 4.000 de Maria e 4.000 de Pedro) agora valerão R$ 1,20 cada (R$ 12.000,00 / 10.000). Se um novo investidor quiser comprar cotas desse fundo, na verdade ele criará novas cotas no valor de R$ 1,20 cada.

Entenda melhor com essa outra explicação:

Carlos, um outro indivíduo ainda não citado em nossa história, analisa o fundo de investimento acima, com um patrimônio de R$ 12.000,00 e o valor de cada cota de R$ 1,20. Ele tem R$ 1.200,00 para investir e quer adquirir 1.000 cotas no valor de R$ 1,20 cada uma (R$ 1,20 x 1.000 = R$ 1.200,00).

Ao comprar as cotas, na verdade ele criará mais cotas, ampliando o patrimônio do fundo de investimento. O fundo tinha um patrimônio de R$ 12.000,00 e agora terá o valor de R$ 13.200,00 (R$ 12.000,00 + R$ 1.200,00), do qual Carlos terá a propriedade de 1.000 cotas, valendo R$ 1,20 cada, totalizando uma participação de R$ 1.200,00.

Com o ingresso de um novo cotista, obviamente o gestor do fundo investe aquele valor aplicado pelo novo integrante. Com a saída de um cotista, cada fundo de investimento tem um prazo determinado para vender os ativos com valor proporcional ao do total de cotas daquele investidor, e repassar o montante em dinheiro para o indivíduo.

Como se constituem os fundos de investimento?

Existem duas modalidades de fundos quanto ao momento de resgate das cotas pelo investidor. Nos fundos abertos, a qualquer momento o cotista poderá solicitar o resgaste de suas cotas. Enquanto isso, no fundo fechado, as cotas só podem ser resgatadas assim que encerrado o prazo de duração do fundo.

Quanto ao prazo dos fundos de investimento, existem aqueles de prazo determinado para o seu encerramento e aqueles de prazo indeterminado.

Quais as figuras que aparecem dentro dos fundos de investimento?

Cotista: é o portador de cotas do fundo. O patrimônio total do fundo é transformado em cotas, sendo que cada cotista possui um número delas proporcional ao seu investimento.

Administrador: ele é o responsável pelo fundo de investimento. É essa figura que se comunica com os cotistas, defende os seus interesses e representa o fundo perante o poder público.

Gestor: é quem compra e vende os ativos do fundo, adotando estratégias que respeitem a política de investimento do regulamento. A escolha de um fundo de investimento deve levar em consideração a experiência e o know-how desse gestor, pois as estratégias adotadas por ele influenciarão diretamente o desempenho do fundo.

Distribuidor: é quem vende as cotas do fundo no mercado, distribuindo-as para os cotistas.

Custodiante: é o responsável pela guarda dos ativos do fundo. É ele quem faz a marcação a mercado, ou seja, atualiza diariamente os valores das cotas.

Auditor: é independente, realizando a auditoria pelo menos uma vez ao ano. Esse papel traz maior segurança e transparência para o cotista.

Os riscos de um fundo de investimentos

Em fundos de investimento, muito se fala sobre a Chinese Wall. Mas o que é isso? Isso significa que todo fundo tem o seu próprio CNPJ, diverso do CNPJ da instituição financeira que o administra. Os recursos financeiros do fundo são totalmente separados dos recursos da empresa que realiza a sua administração.

Ou seja, um banco “X” nunca usará recurso de um dos seus fundos para pagar as contas do banco. E caso o banco “X” quebre, o patrimônio do fundo estará segregado do patrimônio da instituição financeira. Em resumo, a Chinese Wall é apenas uma ferramenta responsável por trazer maior segurança ao investidor.

Na verdade, o risco do fundo está inerente à carteira pelo gestor escolhida (ativos e valores mobiliários selecionados pelo gestor). Por isso, é bom acompanhar de vez em quando a carteira do seu fundo para conhecer os riscos existentes dentro de cada produto financeiro em que o fundo investe. É importante destacar que não há garantia do FGC – Fundo Garantidor de Crédito para as cotas de um fundo de investimento.

Apesar de não existir a garantia do FGC, os fundos possuem a vantagem de uma diversificação barata. Às vezes, com pouco capital você tem acesso a ativos que não teria o mínimo necessário para adquiri-los sem um fundo de investimento. O gestor também poderá apresentar uma estratégia equilibrada em que os seus riscos sejam diluídos em busca de otimização da rentabilidade.

Como escolher um fundo de investimento?

Alguns fatores devem ser levados em consideração para a escolha de um ou mais fundos de investimento onde o investidor queira aplicar os seus recursos. Veja abaixo:

Qual a taxa de administração cobrada pelo fundo?

A taxa de administração é expressa em um percentual anual, mas é descontada diariamente do patrimônio líquido do fundo. Com isso, mesmo que o fundo venha a sofrer prejuízo, será descontada essa taxa. É ela que remunera as atividades operacionais do fundo de investimento, por exemplo, o gestor e o administrador.

Portanto, se a taxa cobrada é de 1% e o total do patrimônio do fundo é de cem milhões de reais, teremos uma taxa de administração de aproximadamente um milhão de reais a ser descontada dos cotistas proporcionalmente ao seu número de cotas.

É importante notar que neste ponto você pode se perguntar: não vale mais a pena eu selecionar os meus próprios ativos, em vez de pagar uma taxa para que um fundo de investimento faça isso? Talvez, se você for um investidor profissional, pode ser que sim, mas para a maioria das pessoas, normalmente faz mais sentido pagar uma pequena taxa de administração que em troca lhe proporcione uma boa estratégia de alocação de ativos.

Os gestores do fundo, se competentes (o investidor deveria investigar quem são essas figuras dentro do seu fundo de investimento), terão mais ferramentas para saber quais ativos escolher, quando os comprar e quando os vender. Em um fundo de investimento que investe em ações, por exemplo, o gestor conhecerá especificamente aquelas ações que possui e entenderá melhor o momento para cada compra e para cada venda.

Normalmente, quanto maior o capital a ser investido, maior o acesso a fundos com taxas menores. Existem fundos cobrando 0,5% ao ano, enquanto outros cobram 3%, por exemplo.

É cobrada taxa de performance?

Essa taxa é cobrada somente por alguns fundos. Para saber se ela existe, é necessário verificar o regulamento do seu fundo de investimento. Essa performance é cobrada sobre a rentabilidade que ultrapassar o benchmark fixado. Veja o exemplo a seguir:

  1. Benchmark: taxa CDI (fixado no regulamento do fundo de investimento)
  2. Taxa de Performance: 20%
  3. Patrimônio Líquido do fundo no início do período: 100 mil reais
  4. Rentabilidade do fundo: 10% ao ano
  5. Rendimento do fundo: 10 mil reais (100 mil x 10%)
  6. CDI no ano: 8% ao ano
  7. Rendimento do CDI seria de: 8 mil reais (100 mil x 8%)
  8. Valor que ultrapassou o CDI: 2 mil reais (R$ 10.000,00 – R$ 8.000,00 = R$ 2.000,00)
  9. Cobrança da taxa de performance: R$ 400,00 (20% de dois mil reais).

É importante salientar que não necessariamente a cobrança de uma taxa de performance ou a existência de uma taxa administrativa um pouco mais alta seja algo ruim. É importante conhecer a estratégia existente naquele fundo e ver se ela justifica a cobrança de tais taxas.

Qual a sua estratégia?

Se quer escolher por um ou mais fundos de investimento, primeiramente você deve ter bem clara qual é a sua estratégia. Aliás, para qualquer tipo de investimento, é importante que saiba de antemão quais são os seus objetivos e qual é o prazo de cada um deles.

Estratégias mais arriscadas, de renda variável, normalmente são para o longo prazo, enquanto diante de objetivos de curto prazo normalmente seus investimentos devem ser mais conservadores (renda fixa).

Deixaremos para diferenciar as diversas categorias de fundos de investimento em outro artigo, mas três classes de fundos são bastante conhecidas:

  1. Fundos de Renda Fixa, que investem no mínimo 80% da carteira em ativos de renda fixa (mais conservadores);
  2. Fundos de Ações, que investem no mínimo 67% da carteira em ações (mais arriscados);
  3. Fundos Multimercados, que possuem políticas de investimento que envolvem diversas categorias de risco. Nesses fundos os gestores tendem a acompanhar o mercado. Usam de ações quando a bolsa está bem e utilizam de renda fixa quando a bolsa não está tão satisfatória. Por isso, a oscilação acaba sendo maior nesse tipo de fundo. Por outro lado, em um momento de incerteza como o que vivemos hoje, com as crises políticas e fiscais, optar por um fundo multimercado, que normalmente possui uma estratégia mais diversificada, pode ser uma boa opção.

Cobrança de impostos em fundos de investimento

Imposto de Renda (I.R.)

Você já ouviu falar do famoso imposto come-cotas? Em um fundo de investimento, no último dia dos meses de maio e novembro, o administrador irá recolher para a Receita Federal o famoso imposto come-cotas.

Há a venda de parte das cotas do investidor para o pagamento do Imposto de Renda, diminuindo assim o número de cotas do cotista. A alíquota de imposto de renda irá se diferir entre os fundos de curto prazo e os de longo prazo.

Fundos de curto prazo são aqueles que possuem ativos e valores mobiliários com prazos de vencimento de no máximo 375 dias e prazo médio da carteira de até 60 dias. Para eles haverá a incidência de imposto come-cotas a uma alíquota de 20%.

Falando-se de fundos de longo prazo, haverá a alíquota de imposto come-cotas de 15%. A maioria das espécies de fundos de investimento estará compreendida nas regras de tributação come-cotas citadas acima (20% para curto prazo e 15 % para longo prazo – aqui se incluem os fundos de renda fixa e multimercados). Nesses casos, a incidência será sempre somente sobre os rendimentos da aplicação. Já quando falamos de fundos de ações, não haverá incidência de imposto come-cotas.

Porém, o imposto come-cotas não é a única incidência de imposto de renda existente nos fundos de investimento. Além do imposto come-cotas recolhido pelo administrador do fundo, haverá incidência de imposto de renda também no resgate do investimento. Veja as tabelas a seguir:

Tabela de I.R. para fundos de curto prazo

Alíquota

Resgate

22,5%

Em até 180 dias
20,0%

Mais de 180 dias

Tabela de I.R. para fundos de longo prazo

Alíquota

Resgate

22,5%

Aplicação de até 180 dias

20,0%

181 a 360 dias
17,5%

361 a 720 dias

15,0%

Acima de 720 dias

Essas são as alíquotas incidentes no resgate tanto para fundos de curto prazo como para fundos de longo prazo. Veja o exemplo a seguir para entender melhor a lógica por trás dos impostos:

Suponhamos que Ricardo tenha investido R$ 10.000,00 em janeiro de 2015 em um fundo de renda fixa de longo prazo. Em maio ele terá uma incidência de 15% de imposto come-cotas sobre os rendimentos do período (se fosse de curto prazo, seria 20%). Então, se esses R$ 10.000,00 se tornaram R$ 10.100,00, por exemplo, o rendimento será de R$ 100,00 (R$ 10.100,00 – R$ 10.000,00) e o imposto recolhido no primeiro semestre será de R$ 15,00 (15% de R$ 100,00).

Já quando chega a próxima cobrança semestral do come-cotas, os R$ 10.085,00 (R$ 10.100,00 – R$ 15,00 de imposto) se transformam em R$ 10.285,00, ou seja, apresentam rendimentos de R$ 200,00 (R$ 10.285,00 – R$ 10.085,00). A incidência de 15% sobre R$ 200,00 acarretará em um recolhimento de R$ 30,00 de imposto de renda come-cotas.

Logo, Ricardo terá um saldo de R$ 10.255,00 (R$ 10.285,00 – R$ 30,00). Contudo, com o passar de um ano, Ricardo deseja resgatar o seu investimento, e como já vimos, haverá nova cobrança de imposto de renda no resgate da aplicação (conforme as tabelas). Para um fundo de longo prazo como o de Ricardo, a alíquota incidente será de 17,5% depois de um ano de aplicação. Porém, como ele já foi previamente tributado com 15% de come-cotas, ele pagará apenas a diferença das alíquotas no resgate, ou seja, 2,5% (17,5% – 15%).

No início da aplicação, o aporte de Ricardo tinha sido de R$ 10.000,00 e no fim de um ano ele estava com o saldo de R$ 10.255,00 com os impostos come-cotas já descontados. Sem a incidência de qualquer imposto, o saldo esperado seria de R$ 10.300,00 (aporte inicial + rendimento do primeiro semestre de R$ 100,00 + rendimento do segundo semestre de R$ 200,00).

Concluímos, assim, que ele arcou com R$ 45,00 (R$ 10.300,00 – R$ 10.255,00) de come-cotas, ou seja, os 15% previamente cobrados sobre o rendimento total de R$ 300,00 (R$ 100,00 + R$ 200,00). No resgate, sobre os rendimentos brutos de R$ 300,00, ainda incidirá 2,5% (17,5% – 15%) de imposto de renda, o equivalente a R$ 7,50 (2,5% de R$ 300,00).

Agora ficou mais fácil de entender a lógica por trás do imposto de renda? O exemplo anterior funcionaria basicamente apenas para fundos de renda fixa e multimercados (curto ou longo prazo), já que nos fundos de ações não há incidência de imposto come-cotas. Nesse caso, a alíquota será sempre de 15% somente no resgate.

IOF

Deixo o final do artigo para falarmos sobre um outro tipo de imposto que pode existir quando falamos de fundos de investimento: o IOF – Imposto sobre Operações Financeiras.

Entretanto, o IOF apenas incidirá em resgates de até 30 dias a partir da data do investimento e nunca existirá em casos de fundo de ações. Ele é incidente sobre o rendimento bruto da operação. Veja a tabela abaixo:

Nº de dias decorridosAlíq.Nº de dias decorridosAlíq.

1

96%1646%

2

93%1743%
390%18

40%

4

86%1936%
583%20

33%

6

80%2130%
776%22

26%

8

73%2323%
970%24

20%

10

66%2516%

11

63%26

13%

1260%27

10%

13

56%286%
1453%29

3%

1550%30

0%

Em um próximo artigo, falarei mais sobre os diversos tipos de fundos de investimento (renda fixa, ações, multimercados, crédito privado, fundos cambiais, etc.). Abraço!

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