Planejamento Financeiro

Contas inativas do FGTS: como usar o dinheiro do saque

Cédulas de dinheiro em um bolso representando o dinheiro das contas inativas do FGTS
Victor Leitão
Escrito por Victor Leitão

Contas inativas do FGTS: como usar o dinheiro do saque 

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A Caixa Econômica Federal – CEF divulgou no dia 14 deste mês o calendário de saques das contas inativas do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) que não recebem depósitos desde dezembro de 2015. Com isso, pelo menos 30 milhões de trabalhadores terão direito a retirar o dinheiro dessas contas, cujos saldos somam 43,6 bilhões de reais.

A notícia obviamente deixou grande parte da população animada e ansiosa para colocar esse dinheiro no bolso – até mesmo porque antes da medida ser aprovada, somente podia contar com esse dinheiro quem fosse demitido sem justa causa, em casos de morte ou aposentadoria, pessoas desempregadas e sem carteira assinada há mais de três anos, quem fosse comprar um imóvel, pessoas com doença grave ou terminal, idosos com mais de 70 anos, entre outros casos mais específicos.

Pensando nisso, trouxemos algumas explicações sobre as contas inativas do FGTS, para aqueles que ainda não tem certeza se têm direito a esses recursos, e diversas dicas de especialistas sobre como aproveitar esse dinheiro de forma consciente (para os felizardos que poderão contar com essa grana extra inesperada). Confira a seguir!

Entendendo o saque de contas inativas do FGTS

Essa parte inicial do texto é mais voltada para aquelas pessoas que ainda estão em dúvida se têm direito a receber o dinheiro do saque de contas inativas do FGTS. Portanto, se você já tem certeza que vai receber e só não sabe como utilizar o recurso, sugiro que você vá direto para o tópico que trata de como usar o dinheiro.

Principais dúvidas sobre as contas inativas do FGTS

1) O que é uma conta inativa?

As contas do FGTS se tornam inativas quando deixam de receber depósitos, ou seja, no momento em que um contrato é rescindido.

Quando um funcionário é contratado pela CLT, o empregador deve abrir uma conta no FGTS para fazer o depósito do benefício todo mês. Caso o trabalhador peça demissão ou seja demitido, essa conta passa a ser inativa. Vale ressaltar que cada emprego com carteira assinada gera uma conta diferente.

2) Quem tem direito ao saque de contas inativas do FGTS?

Todos os titulares de contas inativas, que não receberam depósitos depois de 31 de dezembro de 2015 e que estejam com o contrato de trabalho encerrado.

Portanto, se você foi desligado com justa causa ou pediu demissão de um emprego em 2016, permanecerá com os recursos bloqueados.

3) Pessoas que estão empregadas podem fazer o saque?

Sim, desde que seja titular de uma conta inativa como especificado nas questões anteriores. Em relação aos contratos de trabalho que estejam em vigor, o empregado não poderá sacar.

4) Quem tem mais de uma conta inativa, pode sacar de todas elas?

Sim, se atender aos requisitos exigidos, o trabalhador pode sacar independentemente do número de contas inativas que tiver.

5) Como consultar o saldo?

Você pode consultar através do site da Caixa Econômica Federal, pelo aplicativo do FGTS (disponível para Android, iOS e Windows Phone), pelo Internet Banking (para clientes correntistas Caixa), através dos terminais de autoatendimento, agências da Caixa ou pelo telefone 0800-726-0207.

6) Quando o dinheiro poderá ser sacado?

Como já informado, o governo divulgou o calendário para saque no dia 14 deste mês. A ordem segue o critério de data de nascimento dos beneficiários. Veja o calendário na imagem abaixo.

Calendário de saque de contas inativas do FGTS

Obs: O prazo máximo para saque é 31 de julho de 2017.

7) Quanto poderá ser sacado?

Não há um limite para os saques. Os trabalhadores poderão sacar a totalidade dos recursos de todas as contas inativas que tiverem, desde que estejam dentro do prazo de 31 de dezembro de 2015.

8) O dinheiro pode ser sacado parceladamente?

Não. O saque se dará de uma vez mediante retirada em espécie diretamente no caixa ou depósito em conta-corrente do titular. Embora seja uma péssima opção segundo especialistas, você também pode optar por não sacar e deixar os recursos na sua conta vinculada do FGTS.

9) Quem sacar vai poder utilizar o dinheiro como quiser ou o governo impõe alguma restrição?

O dinheiro proveniente do saque terá destinação livre, ou seja, a pessoa não precisa explicar ao governo o que fará com o dinheiro. Não há qualquer restrição para o uso do saldo.

10) Vale a pena sacar?

De acordo com as estimativas do governo, cerca de 30% dos beneficiários que têm direito ao saque podem acabar optando por manter o dinheiro na conta do FGTS. Ainda que a notícia sobre o saque tenha despertado o interesse de grande parte da população, muitas pessoas imaginam que não mexer no dinheiro pode ser bom negócio para não gastá-lo.

No entanto, há dois problemas. O primeiro é que o rendimento do FGTS é extremamente baixo e o segundo (o qual decorre do primeiro) é que o dinheiro parado no FGTS gera uma falsa sensação de economia. Por quê? Simples de explicar.

Os recursos do FGTS rendem apenas 3% ao ano + Taxa Referencial (TR). A poupança (que já não é um investimento dos mais interessantes em termos de rendimento) ganha TR + 6,17% ao ano, mais do que o dobro do rendimento do FGTS. Pra piorar esse quadro, o resultado fica bem abaixo da inflação oficial do País, que no ano passado fechou em 6,29% e nos últimos doze meses acumula 5,35%.

O que significa que ao escolher por não fazer o saque e deixar o seu dinheiro no FGTS você está basicamente perdendo dinheiro e, consequentemente, seu poder de compra.

Por esse motivo, apesar de o governo estudar aumentar a remuneração do fundo para algo próxima à da poupança, hoje, seja para pagar dívidas ou colocar o valor em uma aplicação financeira, com certeza o saque aparece como a opção mais vantajosa.

Então, vale sim muito à pena sacar o dinheiro das contas inativas do FGTS!

11) Compensa sacar do FGTS e aplicar na poupança?

Não, embora a Caderneta de Poupança remunere o dobro do que remunera o FGTS – como explicado na questão anterior – há outras aplicações (como os títulos do Tesouro Direto, LCIs, LCAs) com bom nível de segurança e que rendem bem mais que a poupança.

Contudo, se a sua situação financeira não é tão tranquila e você pode precisar do dinheiro a qualquer momento, pense em investir em uma aplicação que tenha rendimento melhor que a poupança, mas que também tenha a liquidez diária que a caderneta oferece.

12) Posso pedir a antecipação do FGTS? Os bancos vão oferecer essa alternativa?

Pedir a antecipação diretamente ao governo ou à Caixa, a princípio não. No entanto, para quem precisa dos recursos do FGTS com urgência, é possível antecipar o recebimento com bancos, mas é preciso fazer conta para evitar um mau negócio.

O Santander, por exemplo, anunciou a criação de uma linha de crédito que antecipa o equivalente ao que poderá ser sacado do FGTS. “O valor integral é depositado na conta do cliente 24 horas após a contratação. A liquidação é feita em uma única parcela, descontada no mês do aniversário do cliente”, explica o superintendente do banco, Geraldo Rodrigues. As taxas vão de 2,59% a 4,59% ao mês.

Banco do Brasil e Bradesco estão avaliando a criação de uma linha semelhante. Enquanto que o Itaú Unibanco afirmou que não terá uma ação específica para o FGTS, uma vez que seus clientes já dispõem de linhas de crédito pré-aprovadas.

Vale destacar, entretanto, que embora os bancos ofereçam essa possibilidade só é válido utilizá-la caso o dinheiro seja usado para o pagamento de dívidas. “Ainda assim, o juro dessa dívida deve ser superior à taxa da linha de antecipação oferecida pelo banco”, afirma Ricardo Figueiredo, consultor de educação financeira da Funcesp.

Como utilizar o dinheiro das contas inativas do FGTS?

Depois desse necessário tira-dúvidas sobre o saque das contas inativas do FGTS, chegamos à parte mais relevante do tema: como utilizar o dinheiro das contas inativas do FGTS, dependendo da sua situação financeira.

Alguns especialistas em finanças e investimentos se propuseram a responder este questionamento. Vamos conferir o que eles disseram!

Reinando Domingos, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), acredita que a iniciativa de liberação do FGTS pelo governo é positiva, porém, alerta para o risco desse valor ser empregado de forma errada pelo brasileiro. Segundo ele, o dinheiro inesperado não deve ser gasto sem planejamento.

“Não é porque é uma verba inesperada que deve ser gastada desordenadamente, muito pelo contrário, esse dinheiro pode marcar o início de uma virada financeira”, orienta o especialista em finanças pessoais. Dessa maneira, vamos ver os principais casos de uso.

Para quem está endividado

O governo acredita que grande parte dos brasileiros vai usar o dinheiro do FGTS para quitar dívidas, mas será que essa é a maneira ideal de utilizar o dinheiro das contas inativas do FGTS? Depende.

Domingos explica que essa medida só é recomendada “em caso de descontrole no pagamento ou inadimplência, fatos que podem gerar juros abusivos. Agora, quando o endividamento estiver controlado (como é o caso de quem tem parcelamentos em dia de veículos, da casa própria ou de crediários), esse dinheiro deve ser utilizado para iniciar o planejamento de sonho”, disse.

Já Mauro Calil, especialista em investimentos do Banco Ourinvest, afirma que quem está endividado deve aproveitar o dinheiro para pagar as contas em atraso, principalmente aquelas que têm juros mais altos. “Se for usar o dinheiro, a primeira coisa que o beneficiado deve fazer é limpar seu nome”, diz.

No entanto, caso exista a possibilidade de trocar uma dívida muito cara  por uma menos cara é preferível não usar o recurso do FGTS. A recomendação de Michael Viriato, coordenador do laboratório de finanças do Insper, é ter cautela no uso do FGTS para pagar dívidas, pois ele é um recurso criado para servir de ajuda em momentos difíceis. “O trabalhador deveria guardar para a finalidade original, que é a de complementar a renda quando está sem emprego”, diz.

Veja agora algumas dicas de Reinaldo Domingos para casos mais específicos relacionado às dívidas.

Trabalhador que já está inadimplente

Nesse caso, o dinheiro pode cair como uma luva pra renegociar a dívida e pagá-la a vista economizando muito dinheiro com o pagamento de juros, mas é preciso ter total conhecimento de sua situação antes de sair negociando. Domingos orienta que se faça um diagnóstico financeiro, registrando o que ganha e o que gasta, e conheça o seu verdadeiro “eu financeiro”.

Para isso, elabore uma lista de despesas diárias, separada por tipo de despesas, durante os próximos 30 dias ou utilize um aplicativo de controle financeiro para facilitar essa tarefa (como o Mobills) e registre os seus gastos todos os dias pelo menos durante este primeiro mês. Esse é o caminho para que tudo fique mais claro. “Somente dessa forma será possível cortar gastos supérfluos e reduzir excessos”, enfatiza o educador financeiro.

O presidente da Abefin, ressaltou que nunca se deve procurar um credor, pessoa ou instituição para quem se deve, antes de ter domínio completo das suas finanças pessoais.

Ele aconselha que depois de organizar as finanças, o trabalhador procure linhas de créditos mais baixas (como um refinanciamento, empréstimo pessoal ou empréstimo consignado) para conseguir reduzir o endividamento.

“No planejamento para pagar as dívidas, priorize as que têm os juros mais altos. Normalmente são as de cartão de crédito e cheque especial”, conclui.

Trabalhador que possui diversas dívidas, mas ainda não está inadimplente

O especialista indica que é a hora de se ter cuidado, pois a situação é bastante preocupante. Nesse momento, é fundamental que sejam levantados todos os valores e que se estabeleça uma estratégia para que continue adimplente.

Dessa maneira, é preciso pensar em usar o dinheiro para formar sua reserva para emergências (doença que exige muitos remédios, carro batido, reforma urgente em algum ponto da casa), pois caso algo inesperado aconteça as suas chances de se endividar são altas.

Onde deixar o dinheiro da reserva de emergência pra que ele renda mais? Pode ser qualquer investimento que te possibilite tirar o dinheiro rapidamente, como Tesouro Selic ou CDBs de liquidez diária (os quais permitem resgate a qualquer momento).

“E lembre-se, estar endividado nem sempre é um problema; o problema é quando não se consegue pagar esse compromisso”, explicou Domingos.

Questão essencial relacionada às dívidas

É preciso lembrar que usar o dinheiro do FGTS, ou qualquer outro tipo de receita, para quitar dívidas não significa que o problema do endividamento esteja resolvido. Ele pode ficar apenas mascarado por um tempo, uma vez que o verdadeiro problema está na educação financeira, nos hábitos que se tem e em como você lida com suas finanças.

Dessa forma, mesmo que você consiga se livrar das dívidas atrasadas ao utilizar os recursos do FGTS,  se os maus hábitos continuarem será questão de tempo para uma nova dívida aparecer.

Para quem quer poupar para a aposentadoria

Vale a pena procurar investimentos de longo prazo, como Tesouro IPCA, que protege o dinheiro da inflação.

Para quem quer investir

Se você não possui dívidas significativas e já criou sua reserva, a próxima recomendação seria investir em algo mais rentável, tendo em conta seu perfil e necessidade. 

Um investimento mais rentável que o FGTS é o Tesouro Direto, na modalidade Selic. “Esta aplicação aceita aportes a partir de 30 reais e dá a possibilidade de entrar e sair dela a qualquer dia. Mesmo com impostos ainda vai render mais que a poupança, além de ser uma forma de se educar financeiramente”, acrescenta Calil.

Já o estrategista da Guide Investimentos, Luis Gustavo Pereira, orienta o investimento em títulos públicos pré-fixados e indexados à inflação.

Cálculos feitos pelo professor Alexandre Cabral, do Laboratório de Finanças da Fundação Instituto de Administração (FIA), mostram que o FGTS perde das principais aplicações de renda fixa.

A Letra de Crédito Imobiliário (LCI) lidera e consegue rentabilidade de 11,05% ao ano, contra 4,24% do FGTS. O Certificado de Depósito Bancário (CDB) é o segundo colocado, com retorno de 9,12%, e o Tesouro Direto Selic, o terceiro, com 8,77%.

Logo, os números comprovam que em qualquer dessas opções o dinheiro investido vai render mais do que se estivesse parado na conta do FGTS, cuja rentabilidade é de TR + 3% ao ano, ou na poupança que rende 6,17% + TR.

Obs: Embora os CDBs sejam uma opção interessante, eles remuneram o consumidor com base no CDI – uma taxa usada entre os bancos e que acompanha o comportamento da Selic. Dessa forma, para que o CDB escolhido para investir o saldo do seu FGTS valha a pena, é preciso que o banco pague, pelo menos, 98% do CDI para igualar a remuneração do Tesouro Direto.

Consumo

Quem está em uma situação confortável e não quer fazer nenhum investimento deve aproveitar para sacar o dinheiro da conta inativa do FGTS mesmo assim. Isso porque, como já explicado anteriormente, o dinheiro parado no FGTS perde valor ao longo do tempo.

“A rentabilidade do FGTS não cobre nem a inflação. A finalidade de poupar é poder comprar amanhã mais do que compramos hoje. Se invisto em algo que não rende a inflação, amanhã vou comprar menos do que hoje. O dinheiro de amanhã vai valer menos do que ele vale hoje”, explica Viriato.

Nessa situação, a opção é usar o dinheiro para fazer compras, mas com planejamento.

Para quem quer abrir seu próprio negócio

Quem sonha em empreender sabe que, no princípio, é preciso investir uma boa quantia. Por isso, esse pode ser o incentivo que você precisava para tirar esse desejo do papel.

Contudo, antes de mergulhar de cabeça nessa ideia, vale procurar auxílio de entidades como o Sebrae, que ensinam desde como fazer a gestão financeira de seu negócio até noções de marketing para que ele dê certo.

Conclusão

Então é isso, acreditamos que com essas dicas quem tem direito ao saque de valores das contas inativas do FGTS poderá pensar duas vezes antes de gastar o valor de forma inadequada.

Lembre-se, é fundamental sacar o dinheiro! Você já trabalhou muito pra que ele fique lá preso por mais tempo sem fazer nada. Aproveite seu FGTS da melhor maneira possível de acordo com suas necessidades e seja feliz.

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Sobre o autor

Victor Leitão

Victor Leitão

Victor Leitão, coordenador de marketing e especialista em finanças pessoais do Mobills, além de ser o editor-chefe do Portal Mobills. Formado em Ciências Contábeis pela Universidade Federal do Ceará - UFC e técnico em informática pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará - IFCE. Pesquisador incansável dos temas educação financeira e finanças pessoais. Principais hobbies: assistir filmes/séries, jogar futebol/Dota 2 e viajar.