*Conteúdo publicado originalmente por  Hoje em Dia

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Se é verdade que “quando a miséria bate na porta, o amor pula pela janela”, como diz o ditado, é preciso quebrar todas as barreiras possíveis para evitar que eventuais crises financeiras abalem não só o orçamento do casal, mas a relação como um todo –muitas vezes de forma irreparável.

Manter o diálogo e as contas na mesa (mesmo que não literalmente) é receita certa até quando dinheiro não parece ser problema no relacionamento.

Não se trata de abrir conta conjunta ou de compartilhar com o outro cada centavo que sai da carteira, mas de impedir que amor e finanças habitem lados opostos de uma mesma casa. “Não existe regra. Recomendo que sejam usados bom senso e companheirismo, já que a vida a dois pressupõe desejo de compartilhar”, diz a consultora financeira Evanilda Rocha, da Dinheiro Inteligente.

Comum acordo

Mais do que compatibilizar receita e despesas é preciso eleger, segundo ela, um sistema que tenha sido decidido de comum acordo entre o casal e que funcione para ambos – fórmula encontrada por Mariana Costa Rodrigues, de 32 anos, e pelo marido dela, Lucas Morais, de 26.

Casados há dois anos, eles optaram por unificar os rendimentos. Da conta única saem os recursos para despesas da casa e para os gastos pessoais. “Ano passado, tivemos o orçamento reduzido e ele remodelou os cálculos para que não passássemos aperto. O segredo é manter uma disciplina”, diz a advogada.

Sucesso

Eventuais questionamentos sobre os gastos do outro existem, admite Mariana. “Nada que estremeça a relação”, garante. Maturidade é a chave do sucesso. “Às vezes, acontece um ‘o que significa essa compra no valor X?’. Recentemente, quis renovar o guarda-roupa, por exemplo. Acabei gastando um pouco mais do que previa e a única coisa que ele me perguntou foi se eu realmente precisava de todas aquelas roupas”, brinca. Em praticamente todas as situações, porém, a fórmula tem funcionado.

Para facilitar as coisas, ou melhor, as contas, a maior parte das despesas é paga no débito. Quebrar o “protocolo” de vez em quando e se permitir um gasto extra também faz parte do combinado. “Atritos ocorrem. Nem sempre é fácil alinhar interesses e decisões sobre o que comprar e como pagar. Mas com bom senso e consciência, no final dá tudo certo”, diz.

Tudo junto

Irmã dela, Juliana Rodrigues Horta, de 27 anos, copiou o modelo de gestão ao juntar as escovas de dente com o bancário Frederico Horta, 30. Na casa deles, não há o dinheiro de um e o do outro. “Sou um pouco descontrolada e acabo esquecendo as datas de vencimento, então repasso meu salário para ele, que controla e paga tudo em dia. Não me sinto prejudicada nem mal, pelo contrário, acho ótimo”, diz a engenheira.

Apesar de, na casa deles, privacidade financeira muitas vezes acabar em segundo plano diante da divisão completa entre o que entra e sai, não falta liberdade para que cada um faça as próprias escolhas quando assim desejar.

Segundo Juliana, apesar de gerenciar o pagamento das contas e administrar as finanças, o marido não é o “gerente da casa”. “Não peço permissão para gastar. Trabalho, tenho meu salário e também tenho bom senso para saber da nossa situação financeira. O que ele faz é simplesmente controlar datas e contas e orientar”, detalha.

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Modelo individual

Consultor do site de educação financeira do Mercantil do Brasil, Carlos Eduardo Costa diz que é exatamente assim que as coisas devem caminhar. Para ele, que é avesso a fórmulas matemáticas que impõem percentuais específicos para despesas e receitas, os métodos devem ser descobertos caso a caso. “Tudo depende do modelo de casal, se há filhos, se a casa é própria ou não. Cada realidade impõe um gasto diferente, desde que se tenha em mente que parte da renda deve ser guardada não só para objetivos em curto prazo, mas visando o futuro”, alerta.

Esconder a realidade do par, por pior que seja, é outra bola fora, diz o educador financeiro. Para ele, maior problema que existe. Em situações assim, quando há dívidas, o único caminho é abrir o jogo e buscar o socorro dentro de casa. “Lá na frente, aquele que não sabia de nada, quando descobrir vai se sentir traído”, alerta Costa.

Alinhar os objetivos do casal ajuda a evitar ruído na relação

Psicóloga especialista em atendimento de casais e família, Carolina Ratton Moraes diz que o significado atribuído por cada um ao dinheiro vai dizer muito sobre como o casal lidará com ele ou com a falta dele. A dica é evitar que as DR’s venham à tona somente quando houver um problema, mas mantê-las rotineiramente a fim de descobrir o caminho ideal para os dois.

“Se os sonhos e planos individuais e familiares não forem compartilhados e revisados em cada etapa do ciclo de vida, cedo ou tarde isso se tornará um problema. Os objetivos em comum precisam estar alinhados, desde que levados em consideração os planos individuais também”, enfatiza.

Na casa dos assistentes sociais Leonardo Rodrigo Pinto Martins, de 44 anos, e Celina Roque de Lima Martins, de 39, falta de comunicação e de uma poupança – por parte dela – já foram motivos de desentendimento. Foi preciso colocar as contas na ponta do lápis e reiniciar a organização financeira para que as coisas voltassem aos eixos e o relacionamento melhorasse.

Na opinião de Leonardo, não há organização ideal, mas a que atende os anseios dos dois. “Acho que harmonia financeira depende de um relacionamento sincero, principalmente no que diz respeito aos gastos. Depois de um estresse que tivemos e de uma boa conversa, trocamos de apartamento, de carro, tivemos o Bernardo (primeiro filho, de 8 anos) e estamos nos livrando do cheque especial e do cartão de crédito”, comemora.

Além disso:

Autora de cursos e palestras sobre finanças, a analista comportamental e master coach Carolina Jannotti reforça que manter o equilíbrio entre os pilares saúde, social, emocional e financeiro é a chave para a realização do casal. Segundo ela, se um dos aspectos vai mal, os demais se fragilizam. “Casais e famílias não conversam sobre dinheiro. Cada um de nós foi criado de uma forma e temos crenças financeiras diferentes, que refletem nos nossos comportamentos e resultados. Dialogar é o ponto de partida”, reforça.

Para orientar quem não tem um método próprio ou não sabe por onde começar uma organização financeira, ela criou a Métrica da Riqueza. A fórmula consiste na seguinte distribuição da renda: 60% para gastos essenciais (definidos pelo casal antecipadamente), 5% para educação ou cursos de crescimento pessoal ou profissional, 10% poupado para objetivos em comum (troca de carro ou viagem, por exemplo), 10% para investimento, 5% para doação e os 10% restantes para uso individual.

Segundo Carolina, respeitar o último ponto é essencial para evitar brigas e desentendimentos, já que o percentual de recursos exclusivos para cada um terá sido previamente definido por ambos. “A Métrica não é uma regra obrigatória, mesmo tendo sido determinada após diversos estudos e análise comportamental de pessoas de sucesso. Conhecendo-se e identificando onde está a auto-sabotagem, os pontos fortes e fracos e as crenças limitantes, fica muito mais fácil se adaptar às regras e fazer a própria receita dar certo”, enfatiza.

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