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Conhecendo um pouco melhor as Corretoras

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Victor Barboza
Escrito por Victor Barboza

Saiba como escolher uma corretora e veja os primeiros passos para investir através dessas instituições.

Conhecendo um pouco melhor as Corretoras

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Muito se falou do acordo que consolidou a aquisição de 49,9% da corretora XP Investimentos pelo Itaú Unibanco, numa transação de R$ 6,3 bilhões.

Mas afinal, por que será que houve tanto destaque e dinheiro envolvido? Você pode entender essa situação um pouco melhor se conferir nosso texto e compreender a importância das corretoras.

Histórico

Antes da década de 60, o principal investimento dos brasileiros eram os ativos imóveis. Na época, o país tinha um ambiente econômico de elevada inflação e uma legislação que limitava a taxa de juros até 12% ao ano (Lei Usura).

Em 1964 o Governo começou a praticar um programa de reformas na economia nacional, com reestruturação do mercado financeiro. A Lei 4.595/64, conhecida como Lei da Reforma Bancária, foi responsável pela reformulação do sistema nacional de intermediação financeira e criou o Conselho Monetário Nacional (CMN) e o Banco Central (BACEN). Por outro lado, a lei 4.728 foi a primeira lei do Mercado de Capitais, responsável pelo desenvolvimento deste.

Tais leis impactaram o mercado acionário, inclusive com a reformulação da legislação sobre a Bolsa de Valores e a transformação dos então corretores de fundos públicos nas atuais Sociedades Corretoras.

Isso proporcionou a profissionalização e a criação dos Bancos de Investimentos, responsáveis por desenvolver a indústria dos fundos de investimentos.

Com a regulamentação e fiscalização do mercado de valores mobiliários, das bolsas de valores, dos intermediários financeiros e das companhias de capital aberto foi criada uma diretoria do BACEN para isso. Hoje, essa função é exercida pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Corretoras de Valores Mobiliários

As chamadas corretoras e as distribuidoras tinham funções distintas até 2009, já que apenas as corretoras podiam operar em bolsas de valores, enquanto as distribuidoras precisavam de uma corretora para poder operar nas bolsas.

O BACEN e a CVM, na Decisão Conjunta nº 17/2009, autorizaram as distribuidoras a operar diretamente nos ambientes e sistemas de negociação dos mercados organizados de bolsas de valores, eliminando a principal diferença que existia entre as duas instituições financeiras.

Hoje, essas instituições tem a principal função de executar as ordens de compra e venda dos ativos para seus clientes, já que um investidor não consegue operar diretamente na bolsa de valores.

As corretoras e distribuidoras costumam contar também com equipes de analistas para auxiliar seus investidores na escolha dos melhores investimentos de acordo com o perfil, prazo e necessidades específicas de cada um.

Além disso, são atividades de distribuidoras e corretoras:

  1. Comprar e vender títulos e valores mobiliários por conta própria e de terceiros
  2. Operar em bolsas de mercadorias e de futuros por conta própria e de terceiros
  3. Intermediar a oferta pública e distribuir títulos e valores mobiliários no mercado
  4. Operar em bolsas de valores
  5. Administrar carteiras e custodiar títulos e valores mobiliários no mercado
  6. Subescrever emissões de títulos e valores mobiliários no mercado
  7. Exercer funções de agente fiduciário
  8. Instituir, organizar e administrar clubes e fundos de investimentos
  9. Intermediar operações de compra e venda de moeda estrangeira, além de outras operações no mercado de câmbio
  10. Praticar operações de compra e venda de metais preciosos no mercado físico
  11. Realizar operações de compromissadas
  12. Praticar operações de conta margem
  13. Prestar serviços de intermediação e de assessoria ou assistência técnica em operações e atividades nos mercados financeiro e de capitais

Situação atual

Após os investimentos em imóveis, conforme descrito no começo do texto, veio o foco no investimento na Caderneta de Poupança. Com a presente crise, entretanto, o brasileiro começou a buscar novas fontes de investimentos mais rentáveis que a poupança, devido ao recente mau desempenho desta.

As pessoas viram que os bancos não são os melhores lugares para investir, visto a pequena oferta de investimentos e a maioria destes atrelados ao pagamento de taxas e baixos rendimentos. Foi aí que aumentou o número de pessoas abrindo conta nas corretoras, buscando melhores opções e maior rentabilidade.

Os dados históricos mostram essa nova tendência. A partir de dados do BACEN, é possível perceber uma grande evolução no número de pessoas físicas investidores em ações. Em 2002 eram cerca de 85 mil. Hoje, já são quase 580 mil.

Assim como em 2008, quando o Bradesco comprou a corretora líder naquela época, a Ágora, agora foi a vez do Itaú, com a aquisição da XP. Aguardemos cenas dos próximos capítulos. Enquanto elas não chegam, vamos aprofundar um pouco mais o assunto Corretoras.

Como escolher uma Corretora?

De acordo com a B3, existem hoje 86 corretoras reconhecidas no Brasil. Pela grande quantidade, muitas vezes o interessado em ter uma conta em corretora acaba não sabendo qual escolher. Para facilitar esse processo de escolha, o próprio site da B3 traz uma lista com diferentes filtros:

– Produtos oferecidos: Listados à vista e derivativos (Commodities, Moedas, Renda Fixa Privada e Pública, Juros e Renda Variável), Mercado de balcão (Derivativos e Títulos Financeiros), Tesouro Direto.

– Serviços: clubes de investimentos, análise e pesquisa financeira, carteira administrada, carteira recomendada, empréstimo de ativos, home broker, mobile broker, oferta de fundos de investimentos

– Tipos de clientes: investidor estrangeiro, investidores institucionais, pessoa física, pessoa jurídica

– Selos de qualificação: Agro broker (prestação de serviços e produtos relacionados a derivativos de commodities agropecuárias), Carrying broker (prestação de serviços de gerenciamento de risco, liquidação, administração de colaterais, consolidação de posições e serviços de custódia), Execution broker (serviços de execução de negócios para os investidores institucionais), Retail broker (serviços de atendimento consultivo e de assessoria financeira, prospecção de clientes e execução de ordens e distribuição de produtos).

Esse último filtro, dos selos de qualificação, tem grande importância para promover maiores níveis de sofisticação, qualidade, tecnologia, integridade e solidez das instituições financeiras.

O Programa de Qualificação Operacional (PQO) foi desenvolvido pela BM&FBOVESPA para avaliar e reconhecer a qualidade dos serviços prestados pelas corretoras e bancos que atuam nos mercados administrados pela Bolsa.

São avaliadas as conformidades com as regras do mercado (prevenção de lavagem de dinheiro, supervisão de operações e ofertas e segurança da informação), além de especializações e complexidades do negócio.

Existem também outros certificados e reconhecimentos para atestar a qualidade das instituições. No rodapé da página inicial das corretoras costuma ter quais são eles. Alguns exemplos são: selo de instituição financeira habilitada no Tesouro Direto, selo Cetip Certifica, certificados de segurança da informação, código ANBIMA.

Ou seja, para começar a escolher qual ou quais corretoras para investir, é interessante ter noção de quais serão os tipos de investimentos que serão feitos, para consultar se estes estão disponíveis na corretora e se ela é reconhecida por isso.

Conhecendo e avaliando as Corretoras

Uma vez selecionada uma ou algumas corretoras, é interessante abrir uma conta para conhecer a plataforma e ter as primeiras impressões. A abertura da conta costuma ser gratuita, feita online, com o preenchimento de alguns dados (nome, endereço, renda) e envio de alguns documentos (RG, comprovante de residência).

Além de criar as primeiras impressões, também é recomendado dar uma olhada sobre a reputação da corretora em lugares como o ReclameAqui, Procon, página no Facebook, para ver quais são as reclamações feitas pelos clientes e como a empresa está lidando com isso.

Ademais, é possível verificar o Balanço Financeiro de cada instituição, para avaliar como os negócios estão indo. O site Banco Data é um banco de dados que mostra informações como Lucro Líquido, Patrimônio Líquido, Ativos, Índices entre outras informações.

É interessante dar certa importância a essas informações. Por exemplo, uma corretora que está tendo prejuízos acaba tendo que cortar seus gastos, o que acaba impactando diretamente em aperfeiçoamentos no atendimento e na tecnologia.

Uma vez aberta a conta, é possível ter acesso a diversos investimentos. O cliente receberá um login e uma senha de acesso ao portal da corretora.

Por lá, em geral, ele tem acesso ao menu de investimentos, carteira, home broker (plataforma que dá acesso ao pregão online), saldo da conta e algumas outras funções que variam de instituição para instituição, como por exemplo relatórios, e-books, vídeos e até cursos.

Primeiros passos para começar a investir através de uma Corretora

Para começar a investir é preciso fazer a transferência de recursos da conta bancária para a corretora. Geralmente isto é feito por meio de transações bancárias (TED e DOC). Feitas estas, o cliente terá um saldo em sua conta, que permitirá a compra dos títulos desejados.

A corretora acaba sendo o intermediário entre o investidor e o investimento. No caso de renda fixa, estas instituições permitem, por exemplo, que seu usuário compre títulos de diversos bancos, como LCIs e CDBs, sem a necessidade de abrir conta em cada um deles. Já em relação à renda variável, a corretora dá acesso ao mercado da bolsa de valores, que necessita desse intermediário.

Os títulos de renda fixa acabam sendo muito vantajosos quando comprados pelas corretoras, pois apresentam boa diversificação e rendimentos mais atrativos que os títulos oferecidos nos grandes bancos.

Um CDB, por exemplo, que costuma ser oferecido com rentabilidade de 85% do CDI num grande banco, pode ser encontrado com rentabilidade de 120% do CDI num banco menor. Títulos do Tesouro Direto podem ser adquiridos sem a cobrança de taxas de administração, como é feito nos bancos de varejo.

Fundos de investimentos, geridos por especialistas do mercado, acabam tendo rentabilidade bem superiores quando comparados a títulos que são encontrados em qualquer banco.

Conclusão

Atualmente, todas essas operações podem ser feitas diretamente de casa, por meio da internet, e ainda contam com o suporte de especialistas.

Ir conhecendo o mundo das corretoras, aos poucos, e passando a investir por esse meio, pode proporcionar rendimentos bem interessantes e que, normalmente, não são oferecidos pelos bancos.

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Sobre o autor

Victor Barboza

Victor Barboza

Victor Barboza é Engenheiro Mecânico pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e fundador da GFC – Gestão Financeira Criativa, consultoria financeira destinada a finanças pessoais e gestão financeira de pequenos negócios. Apaixonado por finanças desde 2012. Foi diretor Administrativo-Financeiro da Motriz Empresa Júnior e realizou trabalhos acadêmicos e estágios relacionados à gestão administrativa-financeira de startups e pequenos negócios.