Saiba como o possível impeachment poderá afetar suas finanças pessoais

Como a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff poderá afetar suas finanças? Quais os investimentos poderão ser favoráveis ou não ao seu bolso, caso o impedimento se confirme? E quais atitudes tomar enquanto permanecer esse clima de incerteza sobre o futuro do país?

Primeiramente, é interessante entender que, mesmo que Eduardo Cunha (presidente da Câmara dos Deputados), tenha acatado o pedido de impeachment, existe um longo processo até que se defina sobre o impedimento ou não do mandato. E considerando também que não há um consenso entre juristas sobre o possível impeachment, pode-se dizer que ainda há muita água para rolar debaixo da ponte.

Saiba como o possível impeachment poderá afetar suas finanças pessoais

No entanto, com esse cenário de indefinição política e econômica, faz-se necessário preparar suas finanças para as possíveis consequências do impeachment.

Se ainda não o fez, elabore seu orçamento

Ainda que o impeachment não se concretize, não é novidade para ninguém que o atual cenário econômico é incerto e adverso. Sendo assim, planejamento deve ser a palavra de ordem. É essencial que você tenha um orçamento bem definido e que não gaste mais do que ganha (veja algumas opções de ferramentas para controlar seus gastos).

Além disso, é fundamental manter uma reserva de emergência para se prevenir de imprevistos como novos aumentos de preços ou até mesmo a perda de emprego (confira dicas para montar sua reserva para emergências).

Segundo o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, a inflação deve desacelerar somente no 1º trimestre de 2016 e a taxa de desemprego tem tudo para continuar subindo, pois visando conter a alta inflação e também reduzir os gastos, o governo deve continuar segurando seus investimentos. Consequentemente, sem a ajuda da máquina pública, a atividade econômica se retrai e o desemprego cresce.

Fuja das dívidas

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De acordo com Márcio Cardoso, sócio-diretor da Easynvest, a maior preocupação que o brasileiro deve ter no momento é fugir das dívidas. “Considerando que as taxas estão altíssimas, este é o momento de ganhar com os juros e não de pagá-los”, explica.    

Devido ao fato de a Selic estar em um patamar bem elevado – 14,25% ao ano – os juros praticados nas diversas operações de crédito do mercado também ficam maiores. Por exemplo, a taxa referente ao rotativo do cartão de crédito, que é cobrada quando o cliente paga apenas o mínimo do cartão e parcela o saldo devedor, superou os 400% ao ano. Por isso, se endividar se tornou algo ainda mais perigoso, principalmente se considerarmos que a taxa Selic ainda pode subir nos próximos meses.    

Tente prever os possíveis cenários

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Para André Perfeito, embora ainda haja muita incerteza, a abertura do processo de impedimento torna o cenário econômico um pouco mais previsível do que antes.  

Ao vislumbrar os 2 possíveis desfechos do processo, Cardoso acredita que, se o mandato não for impedido, a economia deve manter o mesmo ritmo dos últimos meses. Nesse caso, segundo o sócio-diretor da Easynvest, os investimentos que acompanham a taxa Selic são a opção mais interessante, visto que quanto maior o risco da economia, maior é a tendência de elevação dos juros.  

Por outro lado, a alta taxa de juros encarece as operações de crédito, o que contribui para manter economia desaquecida e, consequentemente, a alta taxa de desemprego.

Já se o impeachment ocorrer, o cenário pode ser um pouco melhor do que o previsto com a manutenção da presidente, na opinião de Cardoso.  

Pense desde já na sua estratégia

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O processo de impeachment provavelmente irá demorar. Dessa forma, é importante planejar o caminho a seguir nos próximos meses. 

Enquanto o clima de incerteza persistir, a taxa de juro deve se manter elevada e pode até crescer, conforme dito anteriormente. Nesse cenário, investimentos que acompanham a Selic são o caminho natural.

Quase todos os especialistas recomendam, neste momento, investir em ativos de renda fixa que acompanham os juros, uma vez que esses tipos de investimento têm baixo risco e estão em alta. No outro lado da moeda, investimentos de renda variável, como a bolsa, que têm alto risco, não são recomendados atualmente.

Alguns investimentos de baixo risco que são atrelados à taxa Selic ou à taxa DI (que segue comportamento semelhante à Selic) são: os títulos emitidos por bancos, como CDBs, LCIs e LCAs; Tesouro Selic, título público vendido pelo Tesouro Direto; fundos DI e fundos de renda fixa (aqui você deve ter mais cuidado, pois os dois podem ter altas taxas de administração).   

Como esses investimentos sempre pagam juros de acordo com as taxas que o mercado está praticando, o risco de perder dinheiro em relação a outros investimentos é muito baixo.

Avalie outros tipos de investimentos

investimentos

Justamente por serem menos arriscados, os investimentos que acompanham as taxas Selic e DI podem gerar retornos menores. Existem outras aplicações no mercado que pagam taxas de juros prefixadas, ou taxas prefixadas mais a variação da inflação. Estas aplicações podem oferecer remunerações maiores, mas seus riscos também serão superiores.

Para que você entenda melhor, títulos prefixados são aqueles em que você já sabe quanto vai receber no momento do investimento. Por exemplo, suponha que a taxa esteja em torno de 16% ao ano (semelhante às taxas pagas pelo título público Tesouro Prefixado), caso a taxa Selic continue subindo e novos títulos acompanhem essa alta, passando a pagar 17% ao ano, o título de 16% pode se mostrar desvantajoso.

Dessa maneira, se o dono do título que paga a taxa de 16% ao ano precisar resgatá-lo antes do vencimento, ele terá de vendê-lo com desconto e poderá perder dinheiro. Porém, caso o título seja mantido até o vencimento ele pagará exatamente os 16% prometidos, sem risco de prejuízo.

Para o diretor da Easynvest, o investidor deve avaliar se a taxa oferecida no título prefixado é vantajosa considerando o período que ele quer investir. “Alguns CDBs pagam hoje 18% ao ano. Se o investidor acredita que essa a taxa o protegerá pelo prazo de 3 anos, então ele deve comprar o título. Se a Selic cair ótimo, seu título se valoriza, e se a Selic subir, ao menos ele tem a opção de levá-lo até o vencimento e ganhar 18% ao ano, que está excelente.”

No entanto, como há boas chances de que a Selic suba (o que é desvantajoso para os títulos prefixados), uma boa estratégia é diversificar os investimentos, aplicando parte dos recursos em títulos prefixados, que cravam as altas taxas de juros oferecidas neste momento, e a outra parte em títulos que acompanham a Selic e são mais seguros.

Proteja-se da inflação

inflação

Existem também os títulos que pagam uma taxa de juros mais a inflação. Em um momento como o atual, de inflação pressionada, eles são uma ótima opção, na opinião de Márcio Cardoso.

Como esses títulos têm uma taxa prefixada, eles sofrem os mesmos riscos já citados. Contudo, se o objetivo for segurá-los até o vencimento, eles pagam exatamente o que foi acordado no início da aplicação.

Vale ressaltar, que é importantíssimo observar o prazo do título. Se o investidor tiver em mãos um Tesouro IPCA (título público atrelado à inflação) que pague, por exemplo, 7% ao ano mais o IPCA, caso a taxa Selic suba, ele pode ser vendido com prejuízo se for resgatado antes do prazo.

Levando em consideração que os prazos de vencimento do Tesouro IPCA são longos, variando entre 2019 e 2050, o risco de perda é relativamente alto porque o investidor não consegue prever com tanta clareza se precisará ou não resgatar o título antes do prazo.      

Sendo assim, é indicado investir apenas uma parte do dinheiro nesses títulos, que protegem da inflação e ainda pagam taxas de cerca de 7% ao ano ano, e manter recursos investidos em outras aplicações que não geram perdas se forem resgatadas antes do prazo. 

Outra alternativa pode ser investir em títulos atrelados ao IPCA, mas que possuem prazos de vencimento mais curtos. Segundo o especialista da Easynvest, existem no mercado hoje CDBs que pagam a variação da inflação mais 7% ao ano e que tem vencimentos bem curtos, de 1 ou 2 anos.

Evite investir na bolsa neste momento

bolsa de valores

Mesmo achando os preços de algumas ações extremamente atrativos, Márcio Cardoso não recomenda o investimento. “Eu deixaria para investir na bolsa quando houver algum sinal mais claro de recuperação economia”, afirma.  

Numa rápida comparação entre a bolsa e os investimentos atrelados à Selic, ele explica que, caso a taxa Selic suba a 15% no meio do ano que vem, para que o investimento em ações seja mais vantajoso do que as aplicações atreladas ao juro, a bolsa teria que saltar dos atuais 46 mil pontos para cerca de 54 mil pontos. “Essa pontuação só será alcançada se o cenário melhorar muito”, conclui.

 

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